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Oriente Médio

Israel acusa Hamas de violar acordo após entrega incorreta de restos mortais de refém

Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convoca reunião de emergência; impasse pode afetar cessar-fogo mediado pelos EUA.


Palestinos acompanham o trabalho das máquinas enquanto alguns trabalhadores do Egito procuram os corpos dos reféns em Hamad City, em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza na segunda-feira, 27 de outubro de 2025 – Foto: Jehad Alshrafi/AP

Na noite de segunda-feira (27), o Hamas entregou um caixão a Israel como parte do acordo de devolução dos corpos de reféns israelenses. Contudo, exames realizados pelo Instituto Médico Legal em Tel Aviv confirmaram que se tratava dos restos mortais de um refém já identificado e entregue anteriormente.

A descoberta levou o governo israelense a acusar o grupo palestino de violar o cessar-fogo em vigor. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião de emergência para definir possíveis respostas.

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De acordo com fontes israelenses, o erro seria mais um indício de que o Hamas tenta ganhar tempo para evitar a aplicação do item 13 do acordo, que prevê a desmilitarização da Faixa de Gaza. O grupo, por sua vez, alega dificuldades logísticas e falta de equipamentos para localizar os corpos devido à destruição causada pelos bombardeios.

Tensão entre Israel, Hamas e Estados Unidos

Washington pressiona pela continuidade do cessar-fogo e teme que o impasse possa comprometer o plano de reconstrução da Faixa de Gaza, apoiado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Entre as medidas em estudo por Israel está a ampliação da área de controle militar na Faixa de Gaza — atualmente em 53% do território. Membros do alto escalão israelense, no entanto, afirmam que qualquer ação dependerá da aprovação dos Estados Unidos.

Famílias dos reféns pedem congelamento do acordo

O Fórum dos Familiares dos Reféns emitiu um comunicado pedindo que o governo israelense suspenda o acordo até que todos os corpos sejam devolvidos.

“As famílias pedem ao governo de Israel, ao governo dos Estados Unidos e aos mediadores que não avancem para a próxima fase do acordo até que o Hamas cumpra todas as suas obrigações”, diz o texto.

A pressão interna aumenta o desgaste do governo Netanyahu, que enfrenta críticas tanto da população quanto de aliados internacionais.

Hamas anuncia comitê de tecnocratas para administrar Gaza

Em paralelo, o Hamas e outras facções palestinas anunciaram no Cairo a criação de um comitê independente de tecnocratas para administrar Gaza no pós-guerra. O grupo afirma que a nova estrutura atuará em cooperação com países árabes e organismos internacionais.

Apesar disso, o Hamas resiste à exigência de desmilitarização. Segundo o negociador Khalil Al-Hayya, “as armas do grupo estão relacionadas à ocupação israelense; se a ocupação terminar, as armas serão transferidas para o Estado”.

Sul de Israel volta à normalidade

Após dois anos de conflitos intensos, Israel suspendeu nesta terça-feira (28) a classificação de emergência no sul do país. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que a decisão reflete “a nova realidade de segurança” e homenageou os “heróicos combatentes” israelenses.

Moradores de comunidades próximas à Faixa de Gaza, como o Kibutz Be’eri, afirmam ter recebido garantias de presença permanente do exército na região.