Internacional

Invasão Russa à Ucrânia derruba bolsas mundiais; petróleo passa de US$ 105 pela 1ª vez desde 2014


Os preços do petróleo dispararam, com o Brent subindo acima de US$ 105 o barril pela primeira vez desde 2014, depois que a Rússia atacou a Ucrânia, exacerbando as preocupações sobre interrupções no fornecimento global de energia.

A invasão da Ucrânia por tropas russas nesta quinta-feira (24), derrubou os mercados em todo o mundo e fez a Bolsa de Moscou despencar 40%. Na direção oposta, ativos considerados mais seguros, como dólar e ouro, registram forte valorização. Por volta das 14h30 (horário de Brasília), o Moex — referência no mercado de ações da Rússia —, registrava queda de 33%. Na Alemanha — a maior economia da União Europeia —, o índice DAX afundava 4%, mesmo patamar do francês CAC e britânico FTSE. No outro lado do Atlântico, as Bolsas dos Estados Unidos também eram duramente penalizadas. O Dow Jones recuava 2%. A Nasdaq, referência para as empresas de tecnologia, caía 0,3%. Na Ásia os negócios também fecharam no vermelho. O índice Nikkei, no Japão, encerrou com queda de 1,8%, enquanto a Bolsa de Shanghai caiu 1,7%.

Continua depois da Publicidade

A Bolsa de Valores de Moscou chegou a suspender a operações após abrir com queda de mais de 10%, e fechou com queda de 33,28%. Ao longo das negociações, chegou a tombar 50%. Já o rublo caiu 7% em relação ao dólar e atingiu seu mínimo histórico, mas reduziu a desvalorização após intervenção do Banco Central russo.

A Rússia é a maior produtora de petróleo na Europa e uma das líderes mundiais, e o agravamento da tensão faz disparar o risco de desabastecimento energético, o que deve pressionar ainda mais a inflação europeia, atualmente nos maiores níveis em décadas. A escalada do barril também deve impactar o mercado brasileiro. Como desde 2016 a Petrobras pratica a política de basear os seus preços no mercado externo, a alta da cotação pode trazer reajustes às refinadoras. Além das matrizes energéticas, o Leste europeu também é referência na produção de cereais, como milho e trigo. Com o conflito, a tendência é que haja uma corrida para estocar os produtos, o que também deve pressionar os preços e, consequentemente, a inflação.

Outros ativos considerados refúgios seguros, como o ouro, o dólar e o iene japonês, se valorizaram num momento de tensão elevada nos mercados.

A Rússia lançou uma invasão total da Ucrânia por terra, ar e mar, o maior ataque de um Estado contra outro na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos e a Europa prometeram sanções mais duras à Rússia em resposta.

“Se as sanções afetarem transações de pagamento, os bancos russos e possivelmente também o seguro que cobre as entregas russas de petróleo e gás, interrupções no fornecimento não podem ser descartadas”, disse Carsten Fritsch, analista do Commerzbank.

Fonte: Portal Cinco