
Em Katmandu, nepaleses homenageiam refém nepalês cujo corpo foi entregue pelo Hamas nesta semana a Israel – Foto: Prakash MATHEMA/AFP
Troca de corpos entre Israel e Hamas, prevista no cessar-fogo mediado internacionalmente, enfrenta entraves logísticos e políticos. A demora na localização dos restos mortais dos reféns israelenses e as acusações mútuas de descumprimento do acordo elevam a tensão e ameaçam a continuidade das negociações e da ajuda humanitária em Gaza.
O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas enfrenta sérios obstáculos diante da dificuldade de localizar e devolver os corpos dos reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza. Neste sábado (18), o Hamas entregou os restos mortais de Eliyahu Margalit, 75 anos, enquanto Israel, em contrapartida, repassou os corpos de 15 palestinos ao grupo islâmico — uma troca prevista no acordo que determina a entrega de 15 corpos palestinos para cada refém israelense morto devolvido.
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Segundo Tel Aviv, ainda restam 18 corpos de reféns sob posse do Hamas. Autoridades israelenses pressionam por maior empenho do grupo para localizá-los, afirmando que pistas já foram repassadas a mediadores internacionais. O impasse pode afetar diretamente o fluxo de ajuda humanitária à população de Gaza, caso os termos não sejam cumpridos com precisão.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, no dia 10 de outubro, o Hamas devolveu os corpos de dez reféns — nove israelenses e um estudante nepalês. No entanto, Israel acusa o grupo de retardar o processo de forma proposital, o que também comprometeria a próxima etapa do plano de paz: o desarmamento do Hamas.
Acusações e tensão crescente
O Ministério da Saúde de Gaza denunciou supostos maus-tratos aos corpos de palestinos devolvidos, alegando sinais de espancamento e uso de algemas. O exército israelense nega as acusações.
Apesar do apelo por ajuda, Israel mantém restrições à entrada de equipes internacionais de resgate na Faixa de Gaza — como no caso de uma equipe de 81 socorristas turcos especializados na busca por desaparecidos.
Enquanto isso, o Hamas afirma que está comprometido com a devolução dos corpos, mas alega que o processo é lento e complexo. Um porta-voz do grupo, Hazem Qassem, pediu mais tempo para cumprir os termos do acordo.
Visita da ONU destaca destruição em Gaza
Neste sábado (18), o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, visitou a devastada Cidade de Gaza e relatou a destruição generalizada. “É terrível ver uma vasta parte da cidade transformada em uma paisagem de desolação”, disse.
A ONU anunciou um plano emergencial de 60 dias, que inclui a distribuição de um milhão de refeições por dia, reconstrução de hospitais e reabertura de escolas para centenas de milhares de crianças palestinas. No entanto, a tarefa é gigantesca diante da destruição causada pela ofensiva israelense iniciada em resposta aos ataques do Hamas em outubro de 2023.
Agências internacionais apelam pela abertura total das fronteiras, como a passagem de Rafah com o Egito, considerada essencial para a entrada de ajuda.
Enquanto isso, operações de resgate continuam em Gaza. A Defesa Civil local, controlada pelo Hamas, relatou nove mortes nesta sexta-feira, após o exército israelense disparar contra um ônibus que transportava deslocados. Israel afirma que o veículo era “suspeito”.
Próximos passos do acordo
Nos próximos dias, o enviado dos EUA, Steve Witkoff, deve retornar à região para tentar avançar nas negociações. A fase seguinte do plano de paz prevê o desarmamento do Hamas, anistia ou exílio de seus combatentes e a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza — pontos ainda sem consenso.
