Guerra

Oriente Médio

Hamas só aceita negociações de reféns com cessar-fogo

O grupo terrosrista islamico palestino disse que não vai negociar a libertação de mais reféns até um cessar-fogo israelense. Votação no Conselho de Segurança da ONU voltou a ser adiada.


Não há mais negociações sobre a libertação de reféns até que Israel pare os ataques a Gaza. Essa foi a posição transmitida pelo Hamas no final desta quinta-feira (21).

O grupo terrosrista palestino já tinha recusado uma sugestão de Israel para uma trégua de 7 dias como aconteceu no final de novembro. Desta vez, o Hamas exige um cessar-fogo total.

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Se isso vier a acontecer, dificilmente será por força de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas: ontem (21-12-2023) foi novamente adiada a votação do projeto. Embora, a representante dos Estados Unidos tenha dito que “pode apoiá-lo”, se for colocado em cima da mesa “como está”.

Os diplomatas não divulgaram detalhes sobre as mudanças que permitiram que Washington desse luz verde. Na imprensa internacional circula a informação de que o pedido para suspender as hostilidades de forma imediata foi retirado, e que agora o documento pede “medidas urgentes para permitir a imediata entrada de ajuda em Gaza e a criação de condições para cessar as hostilidades”.

Militares de Israel em incursão terrestre na Faixa de Gaza – Foto: reprodução

Segundo a AlJazeera, os Estados Unidos estão satisfeitos com a redação da resolução, mas os diplomatas palestinos e russos não estão, razão pela qual a votação terá sido adiada novamente, apesar da declaração otimista da representante norte-americana.

Relativamente à situação humanitária, o presidente israelense Isaac Herzog, que está em Paris para se encontrar com senadores franceses, afirmou que Israel “pode permitir a entrada de 300 ou até 400 camiões por dia, mas devido a uma falha decisiva da ONU são incapazes de trazer mais de 125 caminhões/dia.”

Esse argumento tem sido repetido há várias semanas. Israel acusa a ONU de ser incapaz de coordenar a ajuda necessária. Já a ONU diz que é puramente impossível de coordenar a logística corretamente quando se está constantemente sob bombardeio.

Gaza atinge nível mais alto de “catástrofe” humanitária devido à fome, alerta a ONU

O campo de refugiados de Al Nusairat, na Faixa de Gaza – Foto: Mohammed Saber/EFE

De acordo com a ONU, mais de 90% da população da Faixa de Gaza, calculada em 2,2 milhões de pessoas, já se confronta com um nível de “crise”, no limite inferior da escala da segurança alimentar.

Enquanto isso, Israel continua a ofensiva militar. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse nesta quinta-feira (21) que, desde o final de uma semana de trégua até agora, as tropas israelenses mataram cerca de 2000 militantes palestinos, em operações terrestres, bem como durante ataques aéreos e navais.

O número total de mortos, de acordo com o Hamas, ultrapassou os 20.000 (sem comprovação oficial).

O exército israelense continua a organizar pequenas operações na Cisjordânia também. Quinta-feira à noite, unidades israelenses foram vistas em Ramallah.