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Caracas-VE

Ditador Nicolás Maduro ameaça declarar guerra caso Venezuela seja atacada por forças dos EUA

Presidente venezuelano afirma que país enfrenta a “maior ameaça à América Latina em um século” e mobiliza tropas na fronteira.


Washington anunciou a ampliação de sua presença naval na região para combater cartéis de drogas, mas não sinalizou incursão terrestre – Fotos: Reprodução

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um pronunciamento nesta segunda-feira (1) alertando que seu governo está pronto para declarar conflito armado caso os Estados Unidos realizem qualquer tipo de intervenção militar no país. Segundo ele, a Venezuela vive o momento mais crítico das últimas décadas, diante do que classificou como uma “ameaça militar sem precedentes” por parte do governo norte-americano.

“Se a Venezuela for atacada, declararemos luta armada e uma República em armas”, disse Maduro durante uma coletiva de imprensa transmitida internacionalmente. O presidente ainda afirmou que há oito navios de guerra e um submarino nuclear dos EUA apontados para o território venezuelano, classificando a movimentação como uma “ação imoral e extravagante”.

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A escalada de tensões ocorre paralelamente ao início dos exercícios navais conjuntos Unitas 2025, marcados para começar em 15 de setembro na costa dos Estados Unidos. Em resposta, o governo venezuelano mobilizou tropas na fronteira e convocou milicianos civis, reforçando o tom beligerante de Maduro diante da crescente pressão internacional.

Ditador Venezuelano, Nicolás Maduro, aplaude soldados das Forças Especiais durante cerimônia em Caracas, na Venezuela, em 28 de agosto de 2025 — Foto: Governo da Venezuela/via Reuters

Acusações mútuas e deterioração das relações diplomáticas

Nos últimos meses, as relações entre Caracas e Washington deterioraram-se rapidamente. O governo dos EUA elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, acusado de envolvimento com o chamado “Cartel dos Sóis”, organização ligada ao narcotráfico e supostamente composta por membros das Forças Armadas venezuelanas.

Maduro rechaçou as acusações e se disse vítima de perseguição política:

“Não sou mafioso, sou um revolucionário com o povo e as Forças Armadas ao meu lado”, declarou. “Não sou um magnata, não tenho fortuna. Sou um trabalhador.”

Apesar das tensões, o presidente confirmou que os canais de comunicação com Washington ainda existem, embora estejam, segundo ele, “prejudicados”. Maduro disse manter interlocução com o Encarregado de Negócios John McNamara e o Enviado Especial Richard Grennel, mas fez duras críticas ao Secretário de Estado Marco Rubio, acusando-o de manipular o presidente Trump:

“Rubio quer manchar as mãos de Trump com sangue latino-americano”, alertou.

Nicolás Maduro, caminha com integrantes do seu governo e tropas em Caracas em 28 de agosto de 2025 — Foto: Governo da Venezuela/via REUTERS

Pressão internacional e apelos à ONU

Em uma reunião da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), o governo venezuelano pediu oficialmente a retirada dos ativos militares dos EUA do Atlântico. O chanceler venezuelano, Yván Gil, acusou os americanos de usarem o combate ao narcotráfico como pretexto para desestabilizar a região.

Maduro também apelou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, para que interceda diante do risco de um conflito armado em território sul-americano.

“Não cederemos a ameaças nem chantagens. O que estamos vendo é uma ofensiva comparável à crise dos mísseis de Cuba, em 1962”, afirmou.

A escalada autoritária de Nicolás Maduro no poder

  • 2013 – Nicolás Maduro assume a presidência após a morte de Hugo Chávez. Já no início de seu mandato, enfrenta denúncias de fraude eleitoral.

  • 2014 – Repressão violenta aos protestos estudantis. Centenas de opositores presos.

  • 2017 – Cria a Assembleia Constituinte paralela, esvaziando o poder do Parlamento eleito com maioria opositora.

  • 2018 – Reeleito em uma eleição considerada amplamente fraudulenta por organismos internacionais.

  • 2019 – Impede entrada de ajuda humanitária e rompe relações com vários países da região.

  • 2020 – Prende parlamentares opositores e reforça controle militar sobre o país.

  • 2023 – Fecha veículos de imprensa independentes e criminaliza ONGs que fiscalizam direitos humanos.

  • 2024 – Realiza referendo para anexação do Esequibo – Tenta anexação territorial com base em plebiscito manipulado
  • 2025 – Eleva o discurso belicista, militariza a fronteira e ameaça guerra aberta com os EUA.