No dia 31 de janeiro, comemora-se o dia Mundial contra Hanseníase, doença que atinge cerca de 30 mil pessoas por ano e que é cercada de preconceito.
A Mycobacterium Leprae ou Bacilo de Hansen é uma actinobactéria, responsável pela hanseníase (Lepra). Possui crescimento extremamente lento quando comparado com outras bactérias e pode levar de cinco à dez anos para dar os primeiros sinais. A transmissão da hanseníase, ocorre por contato íntimo, e prolongado acontecendo por via respiratória.
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A bactéria é transmitida pelo contato direto com o paciente não tratado, sendo eliminada pela boca e nariz de quem está infectado. A doença pode se manifestar, no período que varia de sete meses a dez anos. Diferentes organismos apresentam diferentes respostas imunológicas que levam à infecção ou não. A transmissão de Mycobacterium Leprae está ligada à diversos fatores socioeconômicos, com a falta de acessibilidade ao diagnóstico e tratamento, dificultando o diagnóstico do paciente.
Existem diferente formas de manifestações da hanseníase, dependendo da carga bacteriana e do sistema imunológico da pessoa.

Hanseníase indeterminada (HI)
Caracteriza-se pelo aparecimento de manchas hipocromicas, com alteração de sensibilidade, ou por áreas de hipoestesia na pele. Um paciente com hipoestesia pode ter menos sensibilidade à dor, mudanças na temperatura ou ainda capturar estímulos táteis de maneira atenuada.
Hanseníase Tuberculóide (HT)

Encontra-se lesões bem delimitadas, em placas ou anulares com bordas papilhosas, e áreas da pele eritematosas ou hipocrômicas. Assim como na hanseníase indeterminada, a doença também pode acometer crianças (o que não descarta a possibilidade de se encontrar adultos doentes). Surgem manchas com dormência, são marcas bem delimitadas, com pouca elevação e ausência de sensibilidades.
Hanseníase Dimorfa
A principal característica desta doença é por mostrar várias manchas de pele avermelhadas ou esbranquiçadas, com bordas elevadas, mal delimitadas ou por múltiplas lesões bem delimitadas semelhantes à lesão tuberculóide, porém a borda externa é esmaecida (pouco definida).

Hanseníase Virchowiana
É a forma mais contagiosa da doença. O paciente virchowiana não apresenta manchas visíveis; a peleapresenta-se avermelhada, seca, infiltrada, cujos poros apresentam-se dilatados (aspecto de ‘’casca de laranja’’), poupando geralmente couro cabeludo, axilas e o meio da coluna lombar (áreas quentes).
Na evolução da doença, é comum aparecerem caroços (pápulas e nódulos) escuros, endurecidos e assintomáticos (hansenomas). Quando a doença se encontra em estágio mais avançado, pode haver perda parcial a total das sobrancelhas. A face costuma ser lisa (sem rugas) devido a infiltração, o nariz é congesto, os pés e mão arroxeados e edemaciados, a pele e olhos secos.

O Brasil é o segundo país com o maior número de casos no mundo, atrás somente da Índia. Ainda existe muito preconceito e desconhecimento relacionados à hanseníase. Segundo os especialistas já viram pessoas serem demitidas após receberem o diagnóstico. Muita gente acha que vai pegar se dividir o mesmo espaço de trabalho, por exemplo. Esquecem que a bactéria, para ser transmitida, exige um contato íntimo e prolongado, por muitos anos, conta os infectologistas.
Panorama da doença no Brasil:
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Brasil, divulgado pelo Ministério da Saúde neste mês, foram diagnosticados no país 155.359 casos novos de hanseníase entre os anos de 2016 e 2020. Desses, 86.225 ocorreram no sexo masculino, o que corresponde a 55,5% do total.
Estamos encerrando o janeiro roxo mais as campanhas continuam. A hanseníase tem cura.
Redação Portal CINCO
