Internacional

Cientistas descobrem onda de plasma inédita em Júpiter

Fenômeno detectado pela sonda Juno nunca havia sido observado em nenhum outro ponto do Sistema Solar.


Pesquisadores da Universidade de Minnesota (EUA) identificaram, a partir de dados coletados pela sonda Juno da Nasa, um fenômeno inédito nas regiões polares de Júpiter: um novo tipo de onda de plasma, batizada de Alfvén-Langmuir. Trata-se de um comportamento híbrido jamais registrado em qualquer ambiente do Sistema Solar.

A descoberta foi publicada na revista científica Physical Review Letters. Segundo os cientistas, o achado ocorreu em meio às intensas auroras jovianas, onde a sonda encontrou densidades extremamente baixas de elétrons — até 0,001 partícula por centímetro cúbico — em um ambiente dominado por um campo magnético 20 vezes mais forte que o da Terra.

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Amplitude das flutuações do campo elétrico durante a passagem de Juno pelo polo norte de Júpiter. A linha branca indica a frequência do cíclotron iônico, enquanto a linha preta indica a frequência do plasma de elétrons. Abaixo: a densidade inferida a partir da medição da frequência do plasma.
(foto: Repodrução/University of Minnesota)

Essa condição cria um regime de plasma incomum, em que a frequência natural de oscilação dos elétrons se torna menor que a frequência de giro dos íons. É nesse cenário que surge a onda Alfvén-Langmuir, que ora se comporta como uma onda Alfvén, ora como uma onda Langmuir.

Além de seu interesse teórico, o fenômeno pode gerar efeitos curiosos: quando uma espaçonave cruza sua fonte, forma-se um padrão em formato de “pires”, algo nunca antes registrado nesse tipo de onda.

Os resultados foram obtidos pelo instrumento Waves, da Juno, responsável por medir campos elétricos e magnéticos, e confirmados pelo detector de partículas Jade. Para aprofundar a compreensão, os cientistas recorreram a modelos matemáticos que simulam a propagação das ondas em diferentes condições.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de onda pode estar ligado a feixes de elétrons altamente energéticos acelerados em direção ao espaço — um processo que ajuda a explicar as densidades extremamente baixas de plasma nas regiões polares de Júpiter.