Internacional

Bolsonaro e Biden vão se reunir na Cúpula das Américas


Evento acontecerá em Los Angeles na próxima semana. Líderes de países latino-americanos afirmam que são contra a exclusão de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) embarca nos próximos dias para os Estados Unidos para um encontro com o presidente americano, Joe Biden. A agenda está prevista para ocorrer entre os dias 8 e 10 de junho, em Los Angeles, durante a nona edição da Cúpulas das Américas, evento que deve reunir lideranças do continente.

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Faltando apenas dois dias para sua abertura em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade hispânica dos EUA, o anfitrião ainda não revelou a lista de governantes convidados, que se tornou a lista de divergências.

A viagem ocorre depois de uma ofensiva diplomática de Biden para que Bolsonaro aceitasse o convite da Casa Branca. Desde que tomou posse, em 20 de janeiro de 2021, o presidente americano evitou gestos de aproximação a Bolsonaro e nunca conversou sequer por telefone com o brasileiro. Segundo o chefe do Planalto, a ida aos EUA só foi acertada depois da garantia de um encontro bilateral de ao menos 30 minutos entre os dois chefes de Estado.

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“Não iria jamais para lá para ser moldura de uma fotografia. Tem uma audiência bilateral de pelo menos 30 minutos com ele? Tive três horas com Putin. A resposta foi sim. Então iremos falar a posição do Brasil, falar o que havia tratado com o presidente Donald Trump para continuarmos essa política”, disse Bolsonaro recentemente.

Temendo um esvaziamento da Cúpulas das Américas depois da resistência de algumas lideranças em participar do encontro, Biden enviou o ex-senador Christopher Dodd para convencer Bolsonaro sobre a importância de sua participação. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, sinalizou que não pretende comparecer caso os líderes das ditaduras de Cuba, Nicarágua e Venezuela não sejam convidados.

Biden está preocupado particularmente com a ausência do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador nesta nona reunião dos países da região.

“Nossa relação com o México é e continuará sendo positiva” e o presidente “quer pessoalmente” que López Obrador compareça, disse esta semana Juan González, principal conselheiro da Casa Branca para as Américas.

Devido ao problema migratório, os Estados Unidos precisam de López Obrador e ele “vê que a posição de desafiar Biden o faz aparecer como um líder latino-americano”, comentou à AFP Michael Shifter, professor da Universidade de Georgetown.

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“Todo o drama sobre quem vai participar e quem não vai e por quais razões mostra que há uma grande desconexão” e que os Estados Unidos “perdem influência especialmente na América do Sul, mas também no México”.

O presidente do Chile, Gabriel Boric, e o da Argentina, Alberto Fernández, se uniram ao chamado para estender os convites a todos, mas estarão presentes na reunião.

Bilateral com Bolsonaro

No nível diplomático, a cúpula, que terminará em 10 de junho com a guerra na co Ucrâniamo pano de fundo, permitirá que Biden se encontre com alguns presidentes.

Entre eles o brasileiro Jair Bolsonaro, aliado do ex-presidente Donald Trump e com quem o atual inquilino da Casa Branca não se encontra há quase um ano e meio.

Os dois discutirão questões bilaterais e globais, insegurança alimentar, resposta econômica à pandemia, saúde e aquecimento global, já que “todas as prioridades da cúpula são áreas nas quais o Brasil desempenha um papel incrivelmente importante”, listou Juan Gonzalez.

O sucesso da cúpula, para Rebecca Bill Chavez, presidente do Diálogo Interamericano, dependerá se servirá “como uma plataforma de lançamento para um compromisso regional e focar em questões que encontrem eco”.

Redação Portal CINCO