Cultura

Manaus

HQ resgata batalha esquecida da Revolução Constitucionalista na Amazônia

Graphic novel revela episódio pouco conhecido da guerra civil de 1932 que chegou até Itacoatiara, no interior do Amazonas.


Monumento à Batalha Naval de Itacoatiara – Foto: Reprodução

Uma nova história em quadrinhos produzida no Amazonas traz à tona um capítulo quase apagado da memória nacional: a batalha naval ocorrida em Itacoatiara, a 270 quilômetros de Manaus, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. O episódio, até então pouco conhecido, é o foco da graphic novel desenvolvida pelo Black Eye Estúdio, com roteiro de Emerson Medina e arte do cartunista, ilustrador e roteirista, Romahs Mascarenhas.

A obra, que será lançada em novembro, em evento cultural na tradicional Banca do Largo, recria em imagens impactantes um confronto entre forças governistas e rebeldes em pleno coração da Amazônia. A HQ também conta com a participação de Beatriz Mascarenhas (revisão), Thais Mannala (edição) e Tieê Santos (arte-final), além do prefácio assinado pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior.

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Capa do livro – Foto: Divulgação

A Revolução Constitucionalista, iniciada em São Paulo como resposta à nomeação de interventores federais por Getúlio Vargas e ao descumprimento de promessas de uma nova Constituição, teve repercussões em outras regiões do país. No Norte, a revolta começou em Óbidos (PA) e se espalhou até o Amazonas, onde culminou no combate em Itacoatiara — cenário central da HQ, narrado em ritmo cinematográfico.

“Mais do que contar uma história esquecida, buscamos mostrar a importância da Amazônia em um momento-chave da formação política do Brasil. A Batalha de Itacoatiara demonstra que o movimento de 1932 não foi restrito ao Sudeste, mas teve reverberações nacionais”, destaca o historiador Raphael Russo, membro do Black Eye Estúdio.

O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, e viabilizado por meio de edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), com apoio do Fundo Estadual de Cultura e da Conec, do Governo do Amazonas.