Quem é admirador de Caetano Veloso apenas por suas composições clássicas e fofinhas, na linha de Sampa, Leãozinho, Você é Linda, dentre muitas outras, teria uma piripaque mental de ouvisse o incompreendido e genial álbum Araçá Azul.

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Lançado em 1973, o disco bateu recordes de devoluções de clientes insatisfeitos, já que as pessoas compravam a bolacha esperando canções suaves ou mesmo agradáveis composições pop – como as dos álbuns anteriores, gravados em Londres – e se deparavam com uma série de experimentalismos, que passavam por conversas desconexas, rock psicodélico, boleros sonolentos, roda de candomblé e orquestrações grandiloquentes.
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Caetano, que voltava do exilio recentemente, pediu um estúdio e um técnico de gravação ao diretor da gravadora Philips – o lendário Andre Midani –, que supreendentemente, deu sinal verde.

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Com algumas releituras interessantes, como “Cravo e Canela” (Milton Nascimento) e “Tu Me Acostumbrastes”, clássico de Roberto Yanes, Caetano começou sua saga em busca de uma sonoridade que seria considerada muito à frente do seu tempo.
No decorrer das gravações, convidou Dona Edith do Prato, conterrânea de Santo Amaro, o super guitarrista Lanny Gordin e o maestro tropicalista Rogerio Duprat para incrementarem canções como “Eu Quero Essa Mulher”, composta por Monsueto, e “Sugar Cane Fields Forever”, um trocadilho com a clássica canção dos Beatles – Strawberry Fields Forever – onde Caetano troca os campos de morango ingleses pelas plantações de cana de açúcar do nordeste brasileiro.
E mesmo sendo um verdadeiro fracasso na época, o disco se tornou cult, tanto que cinco décadas mais tarde, Araçá Azul ganhou uma versão comemorativa da gravadora Universal Music.

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Trata-se de uma Fan Box, limitada e exclusiva, composta pelo disco completo (infelizmente, sem musicas extras), uma caderneta e uma caixa especial (cujas partes podem ser usadas como quadro decorativo).
Certamente, quem conseguir adquirir uma dessas caixas, já disponível nas lojas que ainda comercializam discos, não vai cair na besteira de devolver, como fez tanta gente há cinquenta anos.
Se você é daqueles fãs de playlist, que só ouve sucessos, sugiro que não se arrisque, mas se você é uma pessoa com mente aberta, experimente ouvir o álbum com atenção.
Talvez o primeiro impacto cause estranheza, mas com outras audições, a percepção mude.
É até possível que a frase proferida pelo próprio Caetano no incendiário Festival Internacional da Canção, em 1968, faça mais sentido após a audição do álbum: Vocês não estão entendo nada, absolutamente nada.
Definitivamente, Araçá Azul não é para qualquer um.
Como mencionado no encarte, trata-se de “um disco para entendidos”.
