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Vídeo: Incêndio expõe desorganização geral do evento e paralisa negociações críticas na COP30 em Belém

Chamas na zona azul obrigam evacuação de 30 mil participantes e aprofundam percepção de caos logístico que já marcava a conferência climática. Episódio ocorre em dia decisivo para definição do novo texto diplomático.


Zona azul, a mais importante da COP30, foi evacuada rapidamente após início de incêndio nos pavilhões dos países – Foto: Douglas Pingituro/REUTERS

Na véspera do encerramento da COP30 em Belém, um incêndio na zona azul — área mais importante da conferência — interrompeu por horas as negociações já consideradas extremamente delicadas. O incidente obrigou a evacuação imediata de cerca de 30 mil participantes e ampliou a crescente percepção de desorganização que vinha marcando o megaevento climático. Segundo o governo brasileiro e o governo do Pará, ninguém ficou ferido.

O fogo começou nos pavilhões de exposições organizados pelos países, supostamente devido a um telefone celular conectado a uma tomada no estande da Comunidade da África Oriental. Por volta das 14h, equipes de segurança da ONU ordenaram a retirada de todos os presentes no Centro de Convenções Hangar, deixando milhares de pessoas do lado de fora sob chuva fraca, muitas sem documentos e pertences.

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Caminhões de bombeiros, ambulâncias e policiais foram enviados ao local. O incêndio abriu um buraco no teto, mas foi controlado rapidamente. “O fogo foi controlado em aproximadamente seis minutos. As pessoas foram evacuadas com segurança”, afirmou nota da presidência da COP30, acrescentando que 13 pessoas foram atendidas por inalação de fumaça.

Como medida de precaução, a UNFCCC e o governo brasileiro decidiram fechar temporariamente a zona azul enquanto equipes realizavam uma avaliação de segurança. A ONU informou ainda que o Brasil assumiu o controle total da área atingida, que “deixou de ser considerada zona azul” até nova liberação.

O incêndio ocorre em meio a reclamações recorrentes sobre a infraestrutura, logística e comunicação da COP30 em Belém. Participantes relatavam dificuldades de acesso, longas filas, atrasos na programação, problemas nos sistemas de credenciamento e até falhas de orientação dentro dos pavilhões. O episódio desta quinta-feira acabou por reforçar a percepção de improviso e falta de coordenação entre organizadores, autoridades locais e a equipe internacional.

“Era só o que faltava. Lá dentro já estava pegando fogo mesmo”, ironizou um observador brasileiro, em referência à tensão crescente nas negociações.

Incidente paralisa debate sobre combustíveis fósseis

A quinta-feira era considerada decisiva para a conferência, com expectativa de divulgação de um novo rascunho do texto que os 195 países negociam há quase duas semanas. Antes do incêndio, circulava nos bastidores a informação de que a menção a um caminho para reduzir a dependência de combustíveis fósseis — proposta encampada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva — havia sido retirada da versão inicial.

Mesmo com reuniões que avançaram pela madrugada e intensa interlocução de Lula com blocos de países, a presidência da COP30 não conseguiu publicar o novo texto no horário previsto.

Pressão internacional cresce

A desorganização no evento também preocupa lideranças internacionais. Laurence Tubiana, uma das arquitetas do Acordo de Paris, afirmou que as discussões coletivas estão travadas e que o processo corre risco de não avançar. O secretário-geral da ONU, António Guterres, cobrou um compromisso “ambicioso” e de “boa fé” para garantir avanços na adaptação climática e na redução do uso de combustíveis fósseis.

Para especialistas, o incêndio e o caos logístico colocam ainda mais pressão sobre as negociações. A diretora de Política Climática do WWF, Fernanda Carvalho, ressalta que a COP precisa entregar resultados concretos. Já Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa, alerta que temas essenciais — como o financiamento para adaptação — estão ameaçados. Segundo ela, a situação é “muito ruim” e a janela para reverter os impasses ficou ainda menor.

Com a zona azul bloqueada, as incertezas sobre o andamento das negociações aumentam, intensificando o clima de desorganização que marcou a etapa final da COP30.