
Fotos: Reprodução/Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Um incêndio florestal que começou há uma semana na região do Lago do Canaçari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, já atingiu aproximadamente 686 hectares de vegetação de várzea, área equivalente a quase mil campos de futebol.
Continua depois da Publicidade
O fogo foi identificado em 19 de setembro, às margens do lago, e continua avançando pela mata. Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que a ocorrência permanece ativa.
Imagens registradas no domingo (27), a cerca de 10 quilômetros do centro de Itacoatiara, mostram as chamas avançando pela vegetação e uma extensa camada de fumaça cobrindo a região.
Apesar da dimensão do incêndio, o Corpo de Bombeiros informou que não foi acionado especificamente para atender a ocorrência no Lago do Canaçari. Segundo moradores, não existem casas nas proximidades imediatas do incêndio, mas o avanço das chamas preocupa pelo risco de atingir outras áreas habitadas.
22 ocorrências de fogo em setembro
O incêndio do Lago do Canaçari não é um caso isolado em Itacoatiara. De acordo com o Painel do Fogo, 22 eventos foram identificados no município somente em setembro.
Para reforçar as ações de combate, equipes da Força Nacional foram enviadas ao município e passaram a atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros em ocorrências nas áreas urbana e rural.
A situação também mobilizou equipes municipais em outras regiões de Itacoatiara.

Imagem de monitoramento do Painel do Fogo, do Censipam, mostra incêndio na região do Lago do Canaçari, em Itacoatiara — Foto: Reprodução/Censipam
Fogo chegou perto de casas no Rio Arari
Na região do Rio Arari, na zona rural, bombeiros, agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Defesa Civil e moradores trabalharam durante dois dias para conter focos principalmente nas comunidades Ebenézer e Livramento.
Nessa área, as chamas chegaram perto de casas e plantações. O levantamento utilizado pelas equipes apontou que mais de 200 hectares haviam sido atingidos.
A Prefeitura de Itacoatiara informou que a força-tarefa utilizou aceiros e combate direto aos focos. A estiagem e a vegetação seca favorecem a propagação das chamas, enquanto o acesso por vias fluviais dificulta a chegada das equipes a alguns pontos.
A chuva registrada nos últimos dias ajudou a reduzir a intensidade do fogo na região do Rio Arari. Após o trabalho das equipes e a ocorrência de precipitação, o Painel do Fogo não identificou novos registros na área monitorada.
Amazonas vive explosão de queimadas
O cenário de Itacoatiara acontece em meio a uma escalada dos focos de calor em todo o Amazonas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 3.240 focos de queimadas foram registrados no estado entre 1º e 22 de setembro, número 244% maior que os 942 focos identificados no mesmo período de 2025.
O próprio monitoramento do Inpe registrou 285 focos no Amazonas apenas entre 24 e 25 de setembro, colocando o estado entre os que apresentaram maior número de ocorrências no período de 48 horas.
O Ministério Público de Contas do Amazonas também alertou para a dimensão do problema. Segundo dados apresentados pelo órgão, entre 1º de janeiro e 9 de setembro, o estado havia acumulado 3.908 focos, contra 2.643 no mesmo período de 2025.
Municípios como Novo Aripuanã, Autazes, Lábrea e Apuí aparecem entre os que concentravam mais focos no estado em setembro, segundo levantamento divulgado pelo MPC-AM.
Fumaça também preocupa em Manaus
O avanço das queimadas já ultrapassou o problema ambiental e passou a afetar diretamente a qualidade do ar na capital.
Em 23 de setembro, Manaus registrou concentração de 291 microgramas de partículas finas (PM2,5) por metro cúbico, segundo dados da Universidade do Estado do Amazonas. A medição foi classificada como péssima, em um período marcado por forte presença de fumaça na cidade.
A fumaça que chega à capital pode ser transportada por correntes de vento a partir de diferentes áreas do interior e da Região Metropolitana. O aumento das queimadas, portanto, transforma incêndios distantes dos centros urbanos em um problema também relacionado à saúde e à qualidade de vida da população.
Chuva ajuda, mas fogo continua avançando
Em Itacoatiara, a chuva recente ajudou a controlar focos na região do Rio Arari, mas o incêndio do Lago do Canaçari continua ativo.
O Painel do Fogo do Censipam é utilizado para acompanhar incêndios em tempo próximo do real, reunindo informações de diferentes satélites e permitindo identificar o perímetro e a situação das ocorrências.
Enquanto as equipes trabalham para impedir que as chamas avancem para novas áreas, o incêndio no Lago do Canaçari permanece como mais um sinal da dimensão da temporada de queimadas no Amazonas em setembro.
