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Empresário de casa noturna é investigado por tentar censurar post sobre morte de criança em hospital de Manaus

Prints atribuídos a Walter Henrique Silva indicam solicitação de exclusão de conteúdo sobre o caso Benício Xavier de Freitas, que morreu após atendimento no Hospital Santa Júlia — episódio que já mobiliza investigação policial e ética.


O empresário Walter Henrique Silva, dono da casa noturna All Night Pub (e também do Salomé Bar) entrou no foco de críticas nas redes sociais e no debate público depois de ser acusado de pedir a remoção de publicações que mencionavam o Hospital Santa Júlia, unidade familiar à sua esposa, em meio à repercussão da morte da criança de 6 anos, Benício.

De acordo com os prints que circulam nas redes — e que têm forte apelo nas discussões sobre o caso —, Walter teria solicitado diretamente que conteúdos que citavam o hospital fossem tirados do ar, em uma clara tentativa de evitar a exposição da instituição durante uma crise que já mobiliza a atenção da sociedade.

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A acusação provocou indignação: parte da população vê a ação como tentativa de controlar a narrativa pública em torno de uma tragédia, em vez de valorização da transparência e do direito à informação.

Caso Benício: o contexto da tragédia que abalou Manaus

No fim de semana de 23–24 de novembro de 2025, o menino Benício Xavier de Freitas deu entrada no Hospital Santa Júlia com tosse seca e suspeita de laringite — aparentemente um caso simples.

Conforme o relato da família, a médica de plantão prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a cada 30 minutos — um tratamento que, segundo os pais, nunca havia sido feito por via venosa na criança, apenas por nebulização.

Logo após a primeira dose aplicada pela técnica de enfermagem, Benício teria apresentado reação grave: palidez, agonia e queda brusca da oxigenação. Em seguida, foi entubado e transferido para a UTI, onde sofreu seis paradas cardíacas até seu óbito.

A família registrou boletim de ocorrência, denunciando possível erro médico. A investigação está a cargo da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM), que instaurou procedimento ético-profissional para apurar a conduta da médica e da técnica de enfermagem.

O hospital, por sua vez, comunicou que instaurou uma análise técnica através da sua Comissão de Óbito e Segurança do Paciente, declarou que as profissionais envolvidas foram afastadas e que continuará colaborando com as autoridades.

Além disso, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) recomendou a suspensão dos registros da médica e da técnica de enfermagem até a conclusão das investigações, como forma de preservar a integridade da apuração.

A polêmica da tentativa de silenciar o caso

A suposta iniciativa de Walter de apagar posts — num momento de comoção pública — reacende o debate sobre ética, transparência e influência de poderosos na cobertura de casos sensíveis. Se comprovadas, as mensagens atribuídas a ele evidenciam uma clara tentativa de controlar a narrativa, protegendo interesses pessoais em detrimento do direito à informação.

Para muitos, essa ação revela como, mesmo em meio a tragédias que envolvem saúde e vidas humanas, há quem priorize a preservação de reputações familiares ou corporativas — o que gera repulsa e questionamentos sobre impunidade.

O que está em jogo: justiça, transparência e confiança pública

Com o caso sob investigação, cresce a expectativa da sociedade por respostas claras. A gravidade dos relatos — medicação de uso restrito, prescrição controversa, administração possivelmente incorreta e seis paradas cardíacas — exige rigor no trabalho das autoridades, não apenas para identificar responsabilidades, mas para evitar que tragédias semelhantes se repitam.  A denúncia de tentativa de censura por parte de alguém ligado ao hospital reforça a urgência de mecanismos que garantam independência da imprensa e proteção da liberdade de expressão, sobretudo em casos com forte impacto social.

Censura velada

O episódio envolvendo a morte de Benício Xavier de Freitas e as alegadas tentativas de silenciar a divulgação do fato por parte de Walter Henrique Silva colocam em evidência não só possíveis falhas graves no atendimento médico — mas também desafios profundos acerca da transparência, poder, e ética na cobertura de tragedias. A sociedade, a família da vítima e os órgãos de fiscalização acompanham com atenção a apuração, na expectativa de justiça e responsabilização.