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Dólar hoje sobe e vai a R$ 6,20 com receio fiscal superando dois leilões do BC

Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,04%, cotado a 6,092 reais - o maior valor nominal de fechamento da história.


O dólar à vista operava com forte alta frente ao real nesta terça-feira, ampliando os fortes ganhos da véspera, com os receios do mercado sobre o cenário fiscal mais uma vez se sobrepondo ao impulso positivo de um leilão de dólares à vista realizado pelo Banco Central, enquanto investidores ainda digeriam a ata da mais recente reunião do Copom.

Na máxima do dia, a moeda chegou a R$ 6,207. O Banco Central realizou um segundo leilão à vista no começo da tarde e vendeu um total de 2,015 bilhões de dólares. Após a operação da autarquia, a divida cedeu ligeiramente mas ainda oscilava próxima dos R$ 6,169 às 12h56 (horário de Brasília).

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Lula diz que governo ‘tem de fazer alguma coisa’ para segurar o dólar – Foto: Reprodução

Qual é a cotação do dólar hoje?

Às 12h19, o dólar à vista subia 1,20%, a R$ 6,167 na compra e R$ 6,168 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,36%, a 6.181 pontos.

Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,04%, cotado a R$ 6,092 — o maior valor nominal de fechamento da história.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de até 15.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 3 de fevereiro de 2025.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 6,193
  • Venda: R$ 6,194

Dólar turismo

  • Compra: R$ 6,103
  • Venda: R$ 6,283

O que aconteceu com o dólar?

O Banco Central divulgou antes da abertura a ata da reunião de política monetária da semana passada, em que os membros decidiram acelerar o ritmo de aperto dos juros ao elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 12,25% ao ano, e sinalizar mais dois aumentos da mesma magnitude no próximo ano.

No documento publicado nesta terça, o BC disse que observa uma deterioração em componentes que afetam a política de juros, como câmbio, inflação corrente e expectativas de mercado, vendo os impulsos fiscal e de crédito no país como elementos que estão contribuindo para uma redução do efeito do aperto monetário.

A ata ainda reforçou a mensagem de que a percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal do governo afetou de forma relevante os preços de ativos e as expectativas de mercado, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio.

“Acho que ficou clara, mais uma vez, a transmissão de um ‘recado’ do BC ao governo, dizendo que as políticas devem ser previsíveis e anticíclicas, além de uma crítica velada a política de gastos públicos”, disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

O cenário fiscal era justamente o foco do pessimismo dos investidores nesta sessão, com eles temendo a possibilidade de o governo não conseguir a aprovação de suas medidas de contenção de gastos até o fim do ano, uma vez que os parlamentares têm até sexta-feira para votá-las devido ao recesso.

Entre os principais obstáculos na tramitação do pacote fiscal estão a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva das articulações, à medida que se recupera de uma cirurgia em São Paulo, e a questão do pagamento de emendas parlamentares, com investidores apostando que ambos devem travar as medidas.

“Atualmente, o que fortalece tendência de valorização da moeda norte-americana frente ao real é a grande expectativa do mercado para a votação do pacote de corte de gastos”, disse João Duarte, sócio da One Investimentos.

“A agenda da semana será apertada devido ao recesso parlamentar… Apesar do compromisso firmado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não temos garantias da concretização da votação”, completou.

Na curva de juros brasileira, as taxas futuras estavam sem direção única, com as taxas de alguns contratos de longo prazo recuando, em ajuste sobre as fortes altas acumuladas em sessões recentes.

Em um determinado momento, a alta do dólar desacelerou de forma acentuada, com a divisa devolvendo a maior parte dos ganhos na esteira da realização de um novo leilão à vista pelo Banco Central, a terceira sessão consecutiva com uma operação desse tipo e o quarto dia de intervenção no câmbio.

A autarquia vendeu 1,272 bilhão de dólares à vista, aceitando sete propostas com uma taxa de 6,1005 reais por dólar, em leilão realizado entre às 9h36 e 9h41.

Logo após o leilão, o dólar atingiu a mínima da sessão, a 6,0964 reais (+0,07%), mas voltou a acelerar minutos depois.

No cenário externo, os mercados aguardam a decisão do Federal Reserve na quarta-feira, em que se espera amplamente uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros. O foco será a divulgação das projeções das autoridades para os movimentos do próximo ano.

Tudo errado (de novo)

Contrariando a orientação da equipe econômica, o governo anunciou, em paralelo as medidas de fiscal no lado das despesas, que eram tão aguardadas pelos investidores, a isenção do imposto de renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil. Essa perda de arrecadação seria compensada com a tributação de grandes fortunas, para cumprir a promessa de impacto fiscal neutro do presidente Lula.

Bom, o mercado, não gostou nada disso. A curva de juros futuros “abriu” como um todo, a bolsa passou a cair, o dólar disparou.

Essa previsão futura de juros feita por meio dos preços dos contratos de DI já mostra uma taxa Selic em 14% ao ano. Patamar muito próximo do que foi visto no mandato de Dilma Roussef, período de vale econômico e dos ativos financeiros brasileiros como um todo.