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Acadêmicos de Niterói é rebaixada após desfile em homenagem a Lula no Carnaval do Rio

Escola estreante no Grupo Especial termina na última colocação; Viradouro conquista o título de 2026.


A homenagem ao presidente Lula gerou polêmica por acontecer em ano eleitoral, mas incluir ataques diretos à religiosidade e ao conservadorismo, foi “um tiro no pé” dizem especialistas – Foto: Reprodução

A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro após terminar na última colocação do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026. A apuração das notas ocorreu nesta quarta-feira (18), na Cidade do Samba, na Zona Portuária da capital fluminense.

Estreante na elite após conquistar o título da Série Ouro em 2025, a agremiação levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desfile foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.

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Ao todo, 12 escolas disputaram o título do Grupo Especial. Os jurados avaliaram nove quesitos: bateria, harmonia, evolução, samba-enredo, enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alegorias e fantasias.

A homenagem que deveria ser um marco para os Acadêmicos de Niterói, ficou perdida em meio a narrativas – Foto: Reprodução

O que aconteceu?

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial de 2026 expôs uma série de contradições que ajudam a explicar a queda da escola logo em sua estreia na elite do Carnaval carioca. O desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou expectativa, mas também evidenciou inconsistências estratégicas, estéticas e narrativas.

1. Enredo populista x execução irregular

A proposta de contar a trajetória de uma das figuras políticas mais influentes do país exigia densidade histórica, emoção e clareza narrativa. No entanto, a apresentação oscilou entre momentos didáticos e trechos excessivamente simbólicos, dificultando a compreensão linear da história na avenida. Não houve harmonia entre tema  com a execução e não manteve regularidade ao longo dos 80 minutos.

2. Discurso popular x estética tradicional

O enredo exaltava a origem operária e o discurso popular do homenageado, mas parte das alegorias e fantasias apostou em soluções visuais tradicionais e pouco ousadas. Houve uma distância entre a proposta de representar o “Brasil do povo” e a estética apresentada, que não rompeu padrões nem trouxe inovação compatível com o peso do tema.

3. Estreia no Grupo Especial x pressão política

Como campeã da Série Ouro em 2025, a escola chegou ao Grupo Especial embalada pelo acesso. No entanto, ao escolher um enredo de forte teor político já na estreia, assumiu um risco elevado. A pressão externa e a polarização em torno da figura homenageada podem ter deslocado o foco do julgamento técnico para o debate ideológico, criando ruído em torno da apresentação.

4. Harmonia x narrativa fragmentada

Embora a escola tenha demonstrado empenho e entrega de seus componentes, a harmonia visual nem sempre acompanhou a narrativa proposta. Alas que representavam momentos distintos da trajetória do homenageado nem sempre dialogavam entre si com fluidez, prejudicando o impacto geral do conjunto.

5. Expectativa x resultado

A expectativa criada por um enredo com forte apelo histórico e político contrastou diretamente com a pontuação final — 264,6 pontos, última colocação. A diferença para as primeiras colocadas evidenciou que a escola não conseguiu traduzir ambição temática em excelência técnica, requisito indispensável no Grupo Especial.

O desfile da Acadêmicos de Niterói mostrou coragem ao apostar em um tema contemporâneo e controverso em pleno ano eleitoral. Contudo, no Carnaval do Rio, ousadia precisa caminhar lado a lado com precisão técnica, coesão narrativa e impacto estético. A combinação dessas variáveis não se consolidou na avenida, e o resultado foi o fracasso e o retorno à Série Ouro em 2027.