Amazonas

Amazônia

Velório de venezuelana morta no Amazonas teve início nesta quarta-feira (11) em Manaus

O velório de Julieta Hernández esta aberto ao público em Manaus. O sepultamento será realizado na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, onde mora a mãe da artista.


O corpo da venezuelana Julieta Hernández, que foi assassinada no interior do Amazonas enquanto viajava de bicicleta pelo Brasil, foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) de Manaus na tarde desta terça-feira (9). Amigos e familiares da artista preparam o velório na capital amazonense para esta quarta (10).

O velório de Julieta Hernandes, aberto ao público, começou nesta quarta-feira em Manaus – Foto: reprodução

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), o translado do corpo para a Venezuela acontece na quinta-feira (11). O sepultamento da cicloviajante será realizado na sexta (12), na cidade de Puerto Ordaz, onde mora a mãe dela, conforme o Governo Venezuelano, que presta auxilio à família da vítima.

Continua depois da Publicidade

Julieta, que se definia nas redes sociais como migrante nômade, palhaça e cicloviajante, tinha o Amazonas como rota para chegar até a Venezuela, mas foi roubada, estuprada e teve o corpo queimado antes de ser morta no interior do estado.

Segundo a Polícia Civil, toda essa brutalidade foi cometida por Thiago Agles da Silva e de Deliomara dos Anjos Santos, que confessaram o crime e tiveram a prisão preventiva decretada pela justiça.

Ainda conforme a SSP-AM, os documentos de liberação do corpo foram assinados pela mãe de Julieta, que esteve na sede do IML, na avenida Noel Nutels, na zona norte de Manaus, acompanhada da irmã da artista e de amigos.

Roupas e violão da artista venezuelana Julieta Hernández assassinada no Amazonas — Foto: Divulgação/PC-AM

A identificação do corpo de Julieta já havia sido realizada por peritos do Instituto de Identificação Aderson Conceição de Melo (IIACM), com apoio da equipe técnica do IML do Amazonas.

A SSP-AM informou, ainda, que logo que chegou ao IML, o corpo técnico realizou a necropsia e as coletas das digitais para serem confrontadas com os prontuários civis enviados pelo governo da Venezuela. A análise da necropapiloscopia foi realizada por peritos do IIACM.

A embaixada da República Bolivariana da Venezuela no Brasil emitiu nota agradecendo o empenho das Forças de Segurança do Amazonas na resolução do caso, dentre elas, as equipes do IML do Amazonas na identificação e liberação do corpo da artista venezuelana.

O Ministério do Poder Popular para a Cultura da República Bolivariana da Venezuela também se manifestou nas redes sociais e informou que o corpo de Julieta será trasladado em voo da Conviasa e o funeral está marcado para esta sexta (12), em Puerto Ordaz, onde mora a mãe da artista.

Julieta Hernandez, artista venezuelana morta no Amazonas – Foto: reprodução/Redes sociais

“A Venezuela perde com Julieta Hernández uma artista integral, expressão da afirmação Venezuelana. Formada pela Universidade Central de Venezuela (UCV) como veterinária, foi fundadora da Rede Venezuelana de Palhaços com estudos no Brasil sobre Teatro do Oprimido”, diz trecho do comunicado.

O Governo Bolivariano e a comunidade artística venezuelana também agradeceram aos amigos brasileiros de Julieta e à sua liderança social pelas manifestações e mobilizações realizadas a partir do momento em que ela desapareceu com sua bicicleta.

Relembre o caso

Um casal foi preso pela Polícia Civil do Amazonas na noite de sexta-feira (5), suspeito de envolvimento na morte de Julieta Hernández, artista venezuelana que estava desaparecida desde o dia 23 de dezembro.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o corpo foi localizado enterrado em uma mata na cidade de Presidente Figueiredo, interior do estado, próximo ao local onde Julieta foi vista pela última vez. A identificação foi realizada por meio de exame de necropapiloscopia.

Informações do delegado responsável pelo caso apontam que o crime foi cometido por conta do roubo do celular da artista, aliado a uma briga do casal por ciúmes. Julieta teria se hospedado na casa do casal. Na madrugada, o homem, identificado como Thiago, teria tentando roubar o celular da vítima, que reagiu e foi enforcada até perder a consciência. Depois, a esposa do Thiago, identificada como Deliomara, a mando do marido, amarrou as mãos e os pés de Julieta. Foi nesse momento que Thiago violentou a venezuelana.

Segundo depoimento de Deliomara, ela ligou as luzes e, com ciúmes do marido, jogou álcool e ateou fogo nos dois. Na sequência, o casal levou Julieta para área de mata e a enterraram. A polícia não descarta possibilidade dela ter sido enterrada ainda viva. O casal tem 5 filhos, que estavam na casa enquanto tudo acontecia.

Thiago já tem um boletim de ocorrência em aberto em Manaus. O casal será indiciado a por latrocínio, estupro e ocultação.

Os policiais encontraram, próximo à casa dos suspeitos, partes da bicicleta utilizada pela artista. O equipamento estava nas proximidades onde o corpo foi localizado.