Política

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Maria do Carmo chama adversários de ‘velha política’, mas poupa Omar Aziz em debate e mira Cidade e David

Candidata do PL defende renovação na política, mas estratégia adotada no primeiro debate levanta questionamentos sobre quem será seu verdadeiro adversário na disputa pelo Governo do Amazonas.


A pré-candidata do PL ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo, tem usado como uma das principais bandeiras de sua campanha o discurso de renovação política e de enfrentamento à chamada “velha política”. No primeiro debate entre os candidatos ao governo, realizado no domingo (9), porém, sua estratégia chamou atenção por outro motivo: ela concentrou críticas em Roberto Cidade e David Almeida e não fez um questionamento direto a Omar Aziz.

A postura ganhou repercussão justamente porque Maria do Carmo tem procurado se apresentar ao eleitorado como uma alternativa aos grupos políticos tradicionais do Amazonas. Ao classificar seus adversários como representantes da “velha política”, a candidata construiu parte de seu discurso sobre a ideia de romper com práticas e alianças tradicionais.

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No debate, entretanto, a estratégia foi seletiva. Roberto Cidade e David Almeida foram alvos diretos de seus questionamentos, enquanto Omar Aziz não recebeu o mesmo tratamento.

A diferença de postura abriu espaço para uma pergunta política inevitável: se todos os adversários são apresentados como integrantes da velha política, por que um dos principais nomes da disputa ficou fora da linha de confronto da candidata?

 

Maria do Carmo Sefair – Foto: Reprodução                                                                                  Omar Aziz – Foto: Reprodução

Omar Aziz ficou fora da mira

Omar Aziz, do PSD, é um dos principais concorrentes na corrida pelo Governo do Amazonas e aparece na liderança de diferentes pesquisas de intenção de voto divulgadas antes do debate.

Ainda assim, Maria do Carmo não transformou o senador em alvo prioritário de sua participação.

A escolha chama atenção especialmente porque Omar está politicamente associado ao campo que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Para uma candidata que busca consolidar uma identidade de direita e oposição ao governo federal, um confronto direto com o senador poderia ser uma das principais oportunidades para apresentar diferenças ideológicas e políticas ao eleitor.

A candidata, porém, preferiu direcionar seus ataques a adversários que também disputam espaço no eleitorado amazonense.

O discurso contra a “velha política”

A crítica à velha política é recorrente na comunicação política de Maria do Carmo. O discurso procura apresentar a candidata como uma alternativa aos grupos que há décadas participam das disputas eleitorais e das estruturas de poder no Amazonas.

O problema político apontado por seus críticos é que o conceito perde força quando a candidata passa a adotar uma estratégia semelhante àquela que critica: escolher determinados adversários para atacar e evitar o confronto com outros nomes relevantes da disputa.

Isso não significa que a postura no debate seja prova de qualquer acordo ou aproximação entre Maria do Carmo e Omar Aziz. Também não há, a partir desse episódio isolado, elementos suficientes para afirmar a existência de uma combinação política.

O fato objetivo é outro: Maria do Carmo teve a oportunidade de questionar Omar Aziz, mas não o colocou entre os principais alvos de sua participação.

Estratégia eleitoral em jogo

A escolha dos adversários pode revelar muito sobre a estratégia de uma campanha.

Ao atacar Roberto Cidade e David Almeida, Maria do Carmo confronta candidatos que também disputam uma parcela significativa do eleitorado do Amazonas e, especialmente, segmentos que podem ser decisivos para a definição do segundo turno.

Omar Aziz, por sua vez, aparece em posição competitiva nas pesquisas e representa um adversário de natureza diferente: além da força eleitoral, possui uma trajetória política consolidada e ligação com o governo federal.

O silêncio diante desse adversário, portanto, passou a ser observado como uma decisão estratégica.

A contradição que entrou no debate

A questão central levantada após o confronto não é simplesmente por que Maria do Carmo não atacou Omar Aziz.

É a relação entre essa escolha e o discurso que ela própria apresenta ao eleitor.

Se a candidata afirma que é necessário superar a “velha política”, a expectativa natural é que seu discurso seja aplicado de maneira coerente a todos os grupos e candidatos que ela identifica como representantes desse modelo.

No primeiro debate, contudo, a crítica não foi distribuída de forma uniforme.

A situação deixa uma questão aberta para os próximos confrontos: Maria do Carmo continuará concentrando seus ataques em Roberto Cidade e David Almeida ou passará a confrontar diretamente Omar Aziz?

A resposta poderá ajudar a esclarecer qual adversário a campanha do PL considera prioritário e, principalmente, como Maria do Carmo pretende ocupar o espaço de oposição no cenário eleitoral amazonense.