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Oriente Médio

Petróleo dispara com escalada de tensão no Oriente Médio após ataque a Israel

Ações de rebeldes houthis elevam preços internacionais e ampliam preocupação com conflito envolvendo Irã e Estados Unidos.


Foto: Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo REUTERS.

Os preços do petróleo avançaram com força no mercado internacional após a escalada das tensões no Oriente Médio, intensificada por ataques de rebeldes houthis, do Iêmen, contra Israel no fim de semana. O movimento amplia o conflito regional, que envolve também Irã e Estados Unidos, e reacende preocupações sobre o abastecimento global de energia.

Com isso, o barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 115, enquanto o petróleo WTI também registrou ganhos expressivos, refletindo o aumento do chamado “prêmio de risco geopolítico” — quando investidores elevam os preços diante da possibilidade de interrupções na oferta.

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A região do Golfo Pérsico, especialmente o Estreito de Ormuz, concentra uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Qualquer ameaça ao fluxo na área tende a impactar diretamente o mercado internacional e pressionar os preços.

Analistas destacam que o cenário atual reforça a volatilidade da commodity, que já vinha sendo influenciada por disputas geopolíticas e decisões estratégicas de produção por grandes exportadores.

Cenário para 2026 e 2027

Apesar da alta recente, projeções para os próximos anos indicam um mercado dividido entre risco geopolítico e aumento da oferta.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) prevê crescimento contínuo da demanda global, que pode atingir cerca de 106,5 milhões de barris por dia em 2026 e ultrapassar 107 milhões em 2027.

Ao mesmo tempo, a oferta também deve crescer, impulsionada por países fora da Opep+, como Brasil, Estados Unidos e Canadá, o que tende a equilibrar o mercado no médio prazo.

Já o Departamento de Energia dos Estados Unidos projeta preços médios mais baixos: cerca de US$ 56 por barril em 2026 e US$ 54 em 2027, indicando um cenário de oferta abundante e estoques elevados.

Visão de especialistas

Relatórios de bancos e consultorias reforçam a leitura de um mercado instável. O banco Goldman Sachs elevou recentemente sua projeção para 2026, citando riscos de interrupções no fornecimento e maior demanda por estoques estratégicos.

Segundo a instituição, em cenários de maior tensão, os preços podem atingir níveis significativamente mais altos no curto prazo. No entanto, a tendência de longo prazo aponta para acomodação.

Já o JPMorgan projeta que o petróleo deve se estabilizar em patamares mais moderados até 2027, com o Brent próximo de US$ 57 por barril, à medida que o crescimento da oferta supere a demanda global.

Em análise recente, especialistas destacam que o mercado vive um “equilíbrio frágil”, em que fatores geopolíticos podem provocar picos de preço, enquanto fundamentos como produção elevada e estoques altos limitam altas sustentadas.

Impactos globais

A volatilidade no preço do petróleo tem efeitos diretos na economia mundial, influenciando inflação, custos de transporte e preços de alimentos. Em cenários extremos, com o barril em níveis muito elevados, há risco de desaceleração econômica global e aumento da pressão sobre consumidores e empresas.

Diante disso, o mercado segue atento aos desdobramentos no Oriente Médio e às decisões da Opep+, que devem continuar sendo determinantes para o comportamento dos preços nos próximos anos.