Um homem de 43 anos foi preso nesta quinta-feira (12) em Manaus, suspeito de aliciar crianças e adolescentes pela internet e armazenar conteúdo de exploração sexual infantil. A prisão ocorreu no bairro Centro, zona sul da cidade, e foi conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Segundo a delegada Mayara Magna, as investigações começaram após denúncia registrada em São Paulo, envolvendo uma criança de 10 anos que havia sido abordada pelo suspeito nas redes sociais. Durante a investigação, a vítima chegou a enviar um Pix de R$ 100, transação que ajudou a polícia a rastrear o criminoso.
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O suspeito utilizava perfis falsos, se passando por crianças de 11 a 14 anos, e aplicava a técnica conhecida como grooming, que consiste em criar vínculo emocional e de confiança com a vítima antes de solicitar imagens íntimas. Em alguns casos, ele chegou a enviar fotos de outras crianças nuas para induzir o compartilhamento de conteúdo semelhante.
Durante a prisão, a polícia descobriu que o homem já possuía condenação de 23 anos por estupro, estupro de vulnerável e roubo. Ele estava usando tornozeleira eletrônica, possivelmente relacionada a outros processos criminais.
O aparelho celular apreendido será analisado para identificar novas vítimas em outros estados, evidenciando o alcance interestadual dos crimes virtuais. Inicialmente, ele responderá por armazenamento, aliciamento e divulgação de material pornográfico infantil, podendo ser indiciado por estupro virtual caso a perícia confirme interações mais graves.
A polícia reforça a importância de denúncias e monitoramento do uso de redes sociais por menores, alertando que crimes digitais podem ultrapassar fronteiras e alcançar vítimas em qualquer região do país.
Grooming, o que é
O aliciamento online, também designado por grooming em inglês, pode ser definido como um processo de manipulação, geralmente aplicado em cenários em que as vítimas são crianças e/ou jovens menores. Em circunstâncias onde a vítima é maior de idade utilizam-se outras terminologias como catfishing, romance scam, entre outras.

Dados oficiais revelaram que quase 19.000 crianças foram aliciadas sexualmente na Inglaterra entre 2018 e 2019 – Foto: Reprodução
Esta prática inicia-se, por norma, através de uma abordagem não-sexual, com o objetivo de ganhar a confiança da vítima, de maneira a incentivá-la a produzir e partilhar conteúdos íntimos e/ou agendarem um encontro presencial.
Esta prática confere aos agressores a possibilidade de selecionarem a(s) sua(s) vítima(s) com base em caraterísticas específicas, como idade, aparência física, personalidade, entre outras. Adicionalmente, quando uma vítima recusa ou não cede aos pedidos do agressor, este pode desaparecer e reaparecer, utilizando uma nova identidade, testando novas abordagens com a vítima por forma a que esta ceda.
A internet tem facilitado o processo de aliciamento online pela velocidade que esta oferece e pelo número de contactos possíveis. O grooming inicia-se com a criação de um perfil online pelo ofensor, que pode ou não revelar a sua verdadeira identidade, seguido de um primeiro contacto virtual com o menor. Este processo pode durar entre semanas a meses, período necessário para que a criança se sinta confortável na relação com o indivíduo, quer pelo facto de a maioria dos ofensores aliciar várias crianças ao mesmo tempo para garantir que, na eventualidade de alguma se sentir desconfortável e cessar o contacto, o processo seja bem sucedido.
O grooming possibilita que sejam mantidos contactos diários e privados com as crianças, o que seria impossível no mundo real, já que o ofensor, normalmente, não é familiar ou cuidador da criança. Neste sentido, o aliciamento virtual permite que as emoções do menor sejam trabalhadas, por um período de tempo suficiente, até que este se sinta seguro para um encontro na vida real.
Com informações e vídeo gentilmente cedidos pelo portal AM Post
