Membros do Estado Islâmico (EI) começaram a distribuir manuais para fabricar armas usando impressoras 3D, com base em um projeto desenvolvido por um criminoso brasileiro — apontado como chefe de quadrilha —, conforme denúncia do Ministério Público no Brasil. A informação causou preocupação entre autoridades policiais devido ao potencial de disseminação de armas de fogo de uso restrito por redes criminosas internacionais.

Foto: Reprodução
O projeto, conhecido como Urutau, é um fuzil semi‑automático de calibre 9 mm com formato bullpup (cano mais curto e acabamento compacto), concebido para ser montado em grande parte com componentes impressos em 3D, o que facilita sua produção fora de centros industriais tradicionais. O manual completo do Urutau — com cerca de 114 páginas de instruções técnicas — circulou em plataformas online de compartilhamento de arquivos desde agosto de 2024.
Continua depois da Publicidade
Segundo a denúncia, os jihadistas comemoraram a circulação desses manuais em seus canais, divulgando a possibilidade de fabricar o rifle com impressoras acessíveis no mercado comum. As estimativas indicam que o custo de produção de uma arma completa com esse manual variava entre R$ 600 e R$ 800, tornando‑se um método barato para produzir armamento de fogo fora de controle legal.
O designer brasileiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, foi preso nesta quinta‑feira (12), acusado de chefiar a quadrilha que produzia e distribuía o projeto, junto com outros três integrantes, durante a Operação Shadow Gun, coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em várias regiões do Brasil. A ação tinha como objetivo desarticular a rede responsável pela disseminação do material bélico impresso em 3D e impedir sua venda e circulação.

Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, foi preso nesta quinta‑feira (12) – Foto: Reprodução
Urutau já foi apreendido mundo afora
Armas baseadas no projeto Urutau ou similares já foram encontradas por forças de segurança em países como Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, onde modelos completos ou incompletos foram apreendidos em operações policiais, confirmando que o uso de designs 3D para fabricar armas se espalha internacionalmente — o que preocupa especialistas em segurança pública.
O Urutau inclui arquivos e técnicas que permitem impressão e montagem de partes estruturais da arma sem depender de peças regulamentadas comercialmente, usando fixadores e componentes metálicos acessíveis. Os documentos que acompanharam os arquivos também continham orientações de segurança e métodos para reduzir a possibilidade de detecção por autoridades.
Repercussões e preocupações
Especialistas em segurança observam que projetos de armas impressas em 3D, como o Urutau, representam um novo desafio para o controle de armas, pois permitem que grupos criminosos, milícias e organizações terroristas contornem canais legais e barreiras de aquisição de armas tradicionais. Esse tipo de tecnologia pode se tornar ainda mais relevante caso redes criminosas com capacidade técnica adaptem ou modifiquem designs para fins ilegais.
O caso também acendeu debates sobre a necessidade de regulação mais rígida de conteúdos digitais que facilitam a fabricação de armas e de cooperação internacional para impedir a circulação desses materiais entre grupos extremistas e redes de crime organizado.
