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Custos de transporte e armazenagem devem pressionar empresas brasileiras em 2026

Estudo do ILOS aponta que mais da metade das companhias prevê aumento nos preços do transporte, enquanto gargalos estruturais seguem elevando o custo logístico no país.


Custos logísticos devem pressionar empresas brasileiras em 2026 – Foto: reprodução

Empresas brasileiras devem enfrentar um novo ciclo de pressão sobre seus custos em 2026, apesar das recentes manobras do governo para melhorar a percepção econômica. Um levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) aponta que 52% das companhias esperam aumento nos preços de transporte no próximo ano, enquanto 22% projetam alta nos custos de armazenagem e 13% estimam elevação das despesas com estoque.

Os dados surgem em um momento em que o governo federal tenta ganhar visibilidade com medidas de apelo social, como o aumento do piso de renda para a cobrança do Imposto de Renda, além de ajustes pontuais no orçamento e em programas de crédito. No entanto, essas iniciativas não foram suficientes para conter a desvalorização do real, que segue pressionando os custos de insumos, combustíveis e serviços logísticos, com reflexos diretos nos preços ao consumidor.

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Segundo o estudo, os custos logísticos no Brasil representaram 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, patamar considerado elevado e estrutural. Apesar de o preço do transporte rodoviário de cargas ter registrado queda de 1% na comparação anual, o alívio foi insuficiente para neutralizar os efeitos do câmbio e da inflação acumulada.

Em nota, o sócio-diretor do ILOS, Maurício Lima, destacou que o crescimento da atividade logística no país não foi acompanhado por investimentos em infraestrutura, agravando o cenário de custos elevados.

“O Brasil transportou cerca de 25% a mais em volume de carga nos últimos dez anos, mas os investimentos em infraestrutura não avançaram no mesmo ritmo. Isso pressiona os custos logísticos ano após ano e limita a capacidade de crescimento da economia”, afirmou.

Impacto setorial e repasse de preços

O relatório mostra que os setores mais afetados pelos custos logísticos elevados são o de materiais de construção, onde as despesas representam 14,3% da receita, seguido por óleo e gás (13,3%) e higiene, limpeza e cosméticos (9,9%).

Na média, os gastos com logística consomem 8,7% da receita das empresas brasileiras, percentual que aumentou 15,5% ao longo de 2025, segundo o instituto. Parte desse avanço tem sido repassada aos preços finais, contribuindo para a inflação, mesmo diante dos esforços do governo para sinalizar compromisso com o poder de compra da população.

O estudo também ressalta que desafios estruturais persistem, especialmente no Nordeste, onde gargalos logísticos elevam custos e reduzem a eficiência. Analistas avaliam que, sem avanços concretos em infraestrutura, reformas fiscais e maior previsibilidade econômica, medidas pontuais tendem a ter efeito limitado sobre o câmbio e a trajetória dos preços.

Mesmo com ajustes fiscais e aumento do piso do Imposto de Renda para ampliar apoio popular, empresas projetam alta nos custos enquanto o real segue pressionado e os preços avançam.