O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, condenado pelo assassinato da esposa Fernanda Orfali em 2002, foi preso no último sábado (17), em uma pousada de luxo na Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, encerrando mais de duas décadas em que ele esteve foragido da Justiça.

Da esquerda para a direita: prédio onde casal morava e arma de empresário: ele é acusado de assassinato, mas alega que mulher se suicidou em 2002 — Foto: Montagem: Google Maps/ Arquivo Pessoal / Polícia Civil
Nahas foi localizado após ser identificado pelo sistema de videomonitoramento com tecnologia de reconhecimento facial instalado na região turística. A prisão foi realizada pela Polícia Militar da Bahia, e o empresário passou por audiência de custódia na segunda-feira (19), antes de ser encaminhado para o sistema prisional, possivelmente em São Paulo, onde deve cumprir a pena.
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A ordem de prisão contra Nahas havia sido decretada em 25 de junho de 2025, após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar o último recurso da defesa e manter a condenação definitiva de 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa. Com a decisão, não cabe mais recurso, e o réu deve cumprir integralmente a pena imposta.
O crime ocorreu em setembro de 2002, em um apartamento no bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo. Fernanda, então com 28 anos, foi morta com um tiro no peito desferido por Nahas, após uma discussão no relacionamento. Testemunhas e a investigação apontaram que Fernanda havia descoberto que o marido mantinha relações extraconjugais com travestis e fazia uso de cocaína, o que teria agravado os conflitos do casal.

Fernanda Orfali e Sérgio Nahas — Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Ao longo do processo, a defesa de Nahas chegou a alegar que a mulher teria cometido suicídio, tese rejeitada pelas investigações policiais e periciais, que concluíram pela autoria do empresário. Apesar da condenação ter ocorrido somente em 2018, a defesa recorreu a todas as instâncias, mantendo o réu em liberdade até a confirmação da pena pelo STF em 2025.
Durante a abordagem policial na Bahia, foram apreendidos com Nahas 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo Audi, segundo a Polícia Militar. O caso foi registrado na Delegacia Territorial de Praia do Forte e o condenado foi apresentado à Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter) antes da transferência.

Fernanda Orfali tinha 28 anos quando morreu — Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
A prisão de Sérgio Nahas reacende a discussão sobre o tempo de tramitação de processos criminais no Brasil, especialmente em casos de grande repercussão, e levanta questionamentos sobre os mecanismos de execução penal, sobretudo em situações em que réus com ampla capacidade econômica utilizam recursos judiciais prolongados para postergar o cumprimento da pena.
