Durante uma reunião com sócios e conselheiros para apresentação do balanço financeiro de 2025, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, protagonizou um episódio que rapidamente ganhou repercussão fora dos muros do clube. Ao comentar críticas feitas por uma jornalista da TV Globo sobre o baixo investimento rubro-negro no futebol feminino, o dirigente utilizou termos considerados ofensivos, o que motivou uma nota oficial de repúdio da emissora.
Na avaliação do presidente, o crescimento da audiência do futebol feminino não é acompanhado por uma divisão mais equilibrada das receitas de marketing e de direitos de transmissão. Em tom exaltado, Bap responsabilizou as emissoras pela falta de recursos destinados à modalidade e afirmou que as cobranças deveriam ser acompanhadas de maior aporte financeiro ao setor.
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Em resposta, a TV Globo divulgou comunicado classificando a fala como um ataque gratuito e de cunho misógino, reiterando seu compromisso com o respeito às mulheres e com o direito à crítica responsável no jornalismo esportivo.
Apesar da polêmica, a reunião também foi marcada por anúncios relevantes sobre o futuro esportivo do Flamengo. Bap detalhou um plano de reestruturação do elenco masculino, com foco na redução da idade média dos jogadores, maior competitividade interna e valorização de ativos. Segundo ele, o clube deve priorizar contratações de atletas mais jovens e evitar investimentos em jogadores acima dos 26 anos.
O dirigente ainda destacou o expressivo crescimento financeiro do Flamengo. A receita saltou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 2,1 bilhões em 2025, um aumento de R$ 761 milhões. Com esse cenário, Bap afirmou que o clube tem capacidade para investir pesado em reforços e competir financeiramente com rivais diretos no cenário nacional.
Comentário final
Embora o tom adotado pelo presidente tenha sido duro e, em alguns pontos, inadequado, é inegável que sua posição expõe uma discussão real e necessária sobre a sustentabilidade do futebol feminino no Brasil. Ao cobrar maior participação das emissoras e do mercado na geração de receitas, Bap toca em um ponto sensível do esporte nacional. A forma pode e deve ser revista, mas o argumento central — de que o crescimento da modalidade exige compromisso financeiro de todos os envolvidos — é correto e merece um debate sério e responsável.
