O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força do plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9) após ocupar a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e se recusar a deixar o local. A Polícia Legislativa foi acionada e arrastou o parlamentar para fora da Mesa Diretora, em um episódio que levou ao esvaziamento do plenário e à interrupção da transmissão da TV Câmara.
Antes de ser removido, Glauber havia anunciado que permaneceria “até o limite das forças”, protestando contra o que considerou tratamento privilegiado dado por Motta a grupos que, anteriormente, ocuparam a Mesa por 48 horas. Ele afirmou que seu ato buscava expor um “padrão de seletividade” na condução da Casa.
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A imprensa foi impedida de registrar o momento da ação policial, e o acesso ao Salão Verde também foi restringido. Após o tumulto, Glauber concedeu coletiva e afirmou jamais ter visto o canal oficial do Parlamento cortar a transmissão durante uma crise interna.
Lideranças políticas reagiram rapidamente. Lindbergh Farias (PT-RJ) tentou convencer o colega a interromper o protesto e criticou a operação da Polícia Legislativa, classificando o episódio como autoritário e comparando-o a práticas da ditadura militar. Já Nikolas Ferreira (PL-MG) atacou Glauber, acusando-o de agir por interesse pessoal e lembrando que o deputado do PSOL responde a processo de cassação por quebra de decoro.
Após o episódio, Hugo Motta divulgou nota acusando Glauber de reincidência em atos que atrapalhariam o funcionamento da Câmara e classificou o comportamento do parlamentar como “extremista”. Motta disse ainda que determinou apuração sobre possíveis excessos na cobertura de imprensa.
A crise ocorre em meio ao processo de cassação de Glauber, aprovado pelo Conselho de Ética em abril por 13 votos a 5. O deputado, por sua vez, afirma ser alvo de perseguição política por enfrentar figuras de peso na Casa e denunciar o chamado “orçamento secreto”.
Sobre a postura do deputado do PSOL
A atitude de Glauber Braga expõe sua estratégia de confronto direto — um estilo que conquista apoiadores, mas que frequentemente tensiona o ambiente institucional. Seu ato de ocupar a cadeira da Presidência busca simbolizar resistência, mas ao mesmo tempo alimenta críticas de que ele ultrapassa limites regimentais e transforma pautas legítimas em gestos de ruptura. Em um Congresso já marcado por polarização extrema, o episódio reforça a imagem de Glauber como um parlamentar disposto ao embate mesmo quando isso impõe custos elevados ao debate democrático e ao funcionamento da Casa.
