A médica Juliana Brasil Santos reconheceu ter cometido um erro ao prescrever adrenalina intravenosa ao menino Benício Xavier, de 6 anos, que morreu após receber a medicação. A informação consta em um relatório interno do Hospital Santa Júlia enviado à Polícia Civil e obtido com exclusividade pela Rede Amazônica.
Os pais da criança afirmam que o filho recebeu uma dosagem incorreta durante o atendimento entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24). A denúncia foi formalizada na terça-feira (25).
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Na manhã desta sexta-feira (28), a médica e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva chegaram à delegacia por volta das 9h30 para prestar depoimento. Ambas entraram na unidade com os rostos cobertos.
Segundo o relatório enviado pela médica, ela relatou à mãe do menino que a adrenalina deveria ser administrada por via oral e disse ter se surpreendido ao perceber que a equipe de enfermagem não questionou a prescrição.
Outro documento, elaborado pela UTI Pediátrica, confirma que Benício deu entrada após a “administração errônea de adrenalina na veia”. O relatório aponta que o menino apresentou taquicardia, palidez, dificuldade respiratória e sinais de “infecção por drogas que afetam o sistema nervoso”.

Juliana Brasil Santos — CRM 10771-AM, formada em 2019 pelo Centro Universitário Nilton Lins – Foto: Reprodução
A Polícia Civil afirma que Juliana Brasil é a principal suspeita de ter autorizado a aplicação do medicamento. A técnica Raiza executou a administração, seguindo exatamente o que constava na prescrição médica.
O delegado Marcelo Martins solicitou a prisão preventiva da médica, classificando o caso como homicídio doloso — quando há intenção ou assunção de risco de matar.
Segundo ele, mantê-la em liberdade poderia representar risco a outros pacientes.
Na noite de quinta-feira (27), o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus preventivo à médica, impedindo sua prisão durante a investigação.
Troca de acusações e acareação
Após prestar depoimento, a técnica de enfermagem afirmou que apenas seguiu a ordem registrada pela médica. A Polícia Civil informou que houve troca de acusações entre as duas profissionais, motivo pelo qual será realizada uma acareação para esclarecer as divergências.
Defesa contesta investigação
O advogado da médica, Felipe Braga de Oliveira, declarou que a investigação por homicídio doloso é indevida e que a defesa irá contestar o enquadramento adotado pela polícia.
Entenda o caso
De acordo com o pai, Bruno Freitas, Benício foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa — 3 ml a cada 30 minutos.
A família chegou a questionar a técnica de enfermagem sobre a forma de aplicação. Segundo o pai, após a primeira dose, o menino teve piora imediata.
A criança foi levada à sala vermelha, onde apresentou queda brusca na oxigenação e precisou ser monitorada por outra médica. Naquele mesmo dia, foi transferida para a UTI, onde o quadro se agravou.
Por volta das 23h, Benício foi intubado e sofreu as primeiras paradas cardíacas. Segundo o pai, o sangramento ocorreu após o menino vomitar durante o procedimento. A instabilidade continuou, e Benício não resistiu. Ele morreu às 2h55 de domingo.
“Queremos justiça e que isso nunca mais aconteça com nenhuma família”, disse o pai.
O Hospital Santa Júlia informou, em nota, que afastou a médica e a técnica de enfermagem, concluiu uma investigação interna e não comentará detalhes porque o caso está sob análise da Polícia Civil.
