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Vencedora do Nobel da Paz 2025, María Corina Machado reforça luta pela democracia na Venezuela

Opositora de Nicolás Maduro, líder venezuelana é premiada por sua resistência pacífica e recebe reconhecimento internacional em meio à perseguição política no país.


A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, em protesto contra o presidente Nicolas Maduro, em Caracas, em 9 de janeiro de 2025 – Foto: Ariana Cubillos/AP

Em uma conversa emocionada com Kristian Berg Harpviken, secretário do Comitê Nobel, divulgada nas redes sociais, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, agradeceu “em nome do povo venezuelano” e declarou: “Estou certa de que venceremos”.

Atualmente vivendo na clandestinidade desde as controversas eleições de 2024, que garantiram a reeleição de Nicolás Maduro em meio a denúncias de fraude, Machado minimizou o reconhecimento internacional. “Eu sou apenas uma pessoa. Não mereço isto”, disse. Ainda assim, reafirmou seu compromisso com a luta pela democracia no país.

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O Comitê Nobel justificou a escolha destacando a “incansável luta pelos direitos democráticos na Venezuela” e a defesa de uma “transição pacífica e justa para a democracia”. O presidente do Comitê, Jorgen Watne Frydnes, descreveu a opositora como uma figura “unificadora em um país violento”, ressaltando sua coragem ao permanecer no território venezuelano mesmo diante de ameaças à sua vida.

A premiação, que inclui uma medalha de ouro, um diploma e o valor de US$ 1,2 milhão, será entregue em cerimônia oficial no dia 10 de dezembro, em Oslo, Noruega.

Reações internacionais e críticas da Casa Branca

A escolha de Machado foi celebrada por diversas lideranças internacionais. Edmundo González Urrutia, candidato da oposição apoiado por ela na disputa presidencial, classificou o prêmio como “um reconhecimento merecido da luta de uma mulher e de um povo pela liberdade”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou: “Não se pode encarcerar o espírito da liberdade. A sede de democracia sempre prevalece”, escreveu no X (antigo Twitter), acrescentando: “Querida María, a luta continua”.

Por outro lado, a decisão gerou críticas da Casa Branca. O diretor de comunicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steven Cheung, acusou o Comitê Nobel de agir politicamente ao não reconhecer as ações do mandatário norte-americano. “O Comitê Nobel provou que coloca a política acima da paz”, escreveu.

Trajetória marcada por resistência

Engenheira de formação e mãe de três filhos, María Corina Machado, 58, iniciou sua atuação política em 2002 ao fundar a ONG Súmate, que buscava promover referendos contra o governo de Hugo Chávez. Em 2012, ganhou notoriedade ao confrontar Chávez no Parlamento, criticando a política de expropriações do regime.

Desde então, passou a ser alvo de perseguições, sendo acusada de traição e proibida de sair do país. Seus filhos vivem fora da Venezuela, e o contato entre eles é feito por videochamadas.

Machado venceu as primárias da oposição em 2023, mas teve sua candidatura à presidência barrada por uma inabilitação política de 15 anos. Ainda assim, seguiu liderando a campanha da oposição, apoiando González Urrutia e realizando viagens por todo o país, recebida por multidões em clima de resistência.

Antes de conquistar o Nobel da Paz, a opositora já havia sido premiada com o Prêmio Sakharov, da União Europeia, e o Prêmio Vaclav Havel, do Conselho da Europa — ambos em 2024.

Mesmo sob constante pressão do regime, ela se tornou símbolo de esperança para milhões de venezuelanos. Seu lema “Hasta el final” (“Até o final”) se transformou em palavra de ordem entre seus apoiadores, que agora celebram uma conquista histórica.