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Gilmar Mendes rejeita ação de Erika Hilton contra Isabella Cêpa

STF decide que arquivamento de denúncia por transfobia não afrontou jurisprudência; Isabella comemora como “vitória histórica para as mulheres”.


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira (2/9) a reclamação apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) contra a ativista feminista Isabella Cêpa.

Hilton contestava o arquivamento de uma denúncia por transfobia, ocorrida após uma publicação de Cêpa nas redes sociais em 2020, quando a ativista se referiu à parlamentar como “homem” ao comentar as eleições municipais.

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“Decisão judicial em primeira instância foi correta e não violou entendimentos do Supremo sobre crimes de transfobia”, Gilmar Mendes – Fotos: Reprodução

Segundo Hilton, o arquivamento contrariava a decisão do STF de 2019 que equiparou a transfobia ao crime de racismo. Porém, Gilmar Mendes entendeu que não houve desrespeito direto às decisões da Corte.

“Não se verificando afronta direta e objetiva à autoridade das decisões desta Suprema Corte, impõe-se a rejeição da presente reclamação”, escreveu o ministro. Mendes ainda ressaltou que a Reclamação não serve para reavaliar provas ou discutir o mérito do caso, mas apenas para corrigir eventuais violações à jurisprudência do Supremo.

Cêpa explica

a influenciadora digital e ativista feminista Isabella Cêpa falou sobre o processo movido pela deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) contra ela. Em 2020, ela fez uma publicação nas redes sociais, comentando a eleição daquele ano e chamando a então vereadora de homem. Erika Hilton é uma mulher trans.

“Decepcionada com as eleições dos vereadores, óbvio. Quer dizer, candidatas verdadeiramente feministas não foram eleitas. A mulher mais votada é homem”, escreveu a ativista em referência a Erika, em 2020.

De acordo com Isabella, ela segue o feminismo materialista; por isso, questionou a inclusão da agora deputada na lista. A corrente teórica argumenta que as mulheres trans não compartilham da mesma experiência de opressão das mulheres cisgênero – que se identificam com o sexo atribuído ao nascer – e que a inclusão pode diluir a luta feminista ou ameaçar a segurança de mulheres cis em espaços exclusivos.

“Dentro do meio do feminismo materialista, a ideia de que um homem pode se identificar com aquilo que para nós é uma ferramenta de opressão – que é o gênero feminino – não tem sentido algum e não pode jamais ser utilizado para incluir essas pessoas dentro de debates que competem somente a nós: fêmeas humanas adultas, que vivem uma série de problemas e medos por conta da nossa condição biológica”, explicou Isabella.

“Eu sempre costumei falar desse assunto nas minha redes sociais, naquele momento não foi nenhuma novidade, […] meu público sempre esteve acostumado com esses comentários. Foi um comentário aleatório. Seria um comentário que eu faria em qualquer outro dia da minha vida”, completou.

Quando questionada do porquê o comentário na rede social não poderia ser considerado algo violento contra a deputada federal Erika Hilton, a ativista respondeu: “Tento entender porque seria violento eu dizer a verdade. É algo que não entra na minha cabeça”.

“Eu acho que existe um debate muito grande, especialmente algo que é cobrado de nós, mulheres, que é: o que custa só você ser educada, você ser boazinha, você chamar a pessoa do jeito que ela quer? Bom, olha o que me custa não fazer”, disse. A influenciadora vive em asilo político em um país da Europa.

Isabella Cêpa comemora decisão

Após o julgamento, Isabella Cêpa afirmou que o resultado representa “uma vitória histórica para todas as mulheres”. Em declaração, ela disse que a decisão reafirma o direito à liberdade de expressão no debate feminista e impede que críticas sejam criminalizadas como perseguição política.

Repercussão internacional

O caso também ganhou destaque fora do Brasil. Ativistas feministas no exterior e a escritora britânica J.K. Rowling, conhecida por suas posições críticas ao movimento trans, compartilharam mensagens de apoio a Isabella nas redes sociais.

O caso Erika Hilton x Isabella Cêpa

  • 2020 – Isabella Cêpa faz publicação no X (antigo Twitter) chamando Erika Hilton de “homem” após o resultado das eleições municipais. Hilton havia sido eleita vereadora em São Paulo com mais de 50 mil votos.

  • 2020 – Ministério Público de São Paulo denuncia Isabella por transfobia. O caso é enviado à Justiça Federal.

  • 2021 – Ministério Público Federal (MPF) decide arquivar a investigação, entendendo que a fala está dentro da liberdade de expressão.

  • 2022 – Justiça Federal confirma o arquivamento. Erika Hilton recorre ao STF alegando afronta à decisão de 2019 que equiparou transfobia ao crime de racismo.

  • 2025 (setembro) – Ministro Gilmar Mendes rejeita a Reclamação apresentada por Erika Hilton, mantendo o arquivamento. Isabella comemora decisão como “vitória histórica para mulheres”.