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Europa

Espanha adota política migratória inovadora “imigração para o trabalho como solução”

Enquanto a maioria dos países da União Europeia adota políticas restritivas, a Espanha aposta na inclusão dos imigrantes pelo trabalho, destacando-se como exceção no continente, com impactos positivos no mercado de trabalho e no crescimento econômico.


Mohamed Es-Saile, 38, do Marrocos, em uma fábrica de alimentos em Guissona, Lleida, Espanha, em 20 de fevereiro de 2025 – Foto: Joan Mateu Parra/AP

A Espanha se destaca como uma exceção no cenário europeu, apostando na imigração como motor de crescimento e solução para os desafios demográficos, como aponta um estudo recente. Em um momento em que a maioria dos países do continente adota políticas migratórias cada vez mais restritivas, a nação ibérica tem seguido uma abordagem pragmática e voltada para a integração dos imigrantes no mercado de trabalho, com foco na regularização de trabalhadores e no estímulo à inclusão pelo emprego.

De acordo com pesquisa realizada por Tania Racho, especialista em direito europeu, e Antoine de Clerck, consultor em estratégia e impacto social, a Espanha percebeu há mais de uma década a necessidade de lidar com o envelhecimento populacional e a queda demográfica. Em resposta a esses desafios, o país tem se beneficiado da imigração como uma forma de equilibrar a força de trabalho, ampliando a contribuição de estrangeiros para setores-chave da economia, como construção civil, hotelaria, e agricultura.

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Nos últimos 30 anos, cerca de 1,5 milhão de imigrantes foram regularizados no país, com estimativas de que 900 mil mais o façam nos próximos três anos. Essa política tem gerado efeitos positivos nas finanças públicas e no crescimento econômico, sem criar um efeito atrativo que provoque uma “invasão” de migrantes. Contudo, o acesso aos direitos e a complexidade dos procedimentos administrativos ainda representam desafios para muitos.

Apesar do discurso crescente contra a imigração, especialmente impulsionado pelo partido de extrema direita Vox, a opinião pública espanhola continua amplamente favorável ao acolhimento de imigrantes, especialmente devido ao impacto econômico positivo que eles têm no país. Além disso, a sociedade civil, incluindo mídia, ONGs e a Igreja, tem desempenhado papel crucial em fortalecer essa posição.

Porém, a posição geográfica da Espanha, como porta de entrada para o Espaço Schengen, torna a gestão das rotas migratórias um desafio constante, especialmente nas cidades de Ceuta, Melilla e nas Ilhas Canárias, onde tensões e práticas controversas são frequentes. A cooperação com países de origem e trânsito, como o Marrocos, também desempenha papel central nas políticas de segurança e controle migratório.

Em resumo, enquanto a União Europeia avança com políticas cada vez mais restritivas, a Espanha segue em direção oposta, usando a imigração para enfrentar seus desafios econômicos e demográficos, ao mesmo tempo em que promove um discurso de inclusão e humanidade.