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Moradores de favelas no Amazonas expressam orgulho e mostram força econômica das periferias

Cidade de Deus e Comunidade São Lucas, em Manaus, estão entre as maiores favelas do Brasil; levantamento revela solidariedade, poder de consumo e desejo por melhorias estruturais.


Uma pesquisa da Central Única das Favelas (Cufa), em parceria com o IBGE e o Data Favela, revelou que 94% dos moradores de comunidades em Manaus sentem orgulho de viver onde moram. O estudo também destaca que 87% percebem solidariedade e ajuda mútua entre vizinhos, desmistificando estigmas antigos sobre as favelas e mostrando sua relevância social e econômica.

O Amazonas abriga duas das cinco maiores favelas do país: a Cidade de Deus, localizada no bairro Alfredo Nascimento, com 55.821 moradores, e a Comunidade São Lucas, entre os bairros São José e Tancredo Neves, com 53.674 habitantes. Ambas estão situadas na zona leste de Manaus.

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Bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus. — Foto: Karla Mendes/g1 AM

Além da representatividade populacional, esses territórios movimentam uma economia bilionária. Segundo a pesquisa, os moradores das favelas brasileiras geram, juntos, R$ 300 bilhões em renda própria por ano — valor superior ao consumo do Paraguai ou da Bolívia e maior que o PIB de 22 dos 27 estados do Brasil.

Na Região Norte, os números revelam intenções de consumo acima da média nacional. Nos próximos seis meses, 77% dos moradores pretendem comprar roupas e 67% planejam adquirir cosméticos, índices mais altos que os verificados no restante do país. A construção civil também se destaca: 59% planejam comprar materiais de construção. Quando o assunto é eletrodomésticos, a região lidera com 61% de intenção de compra.

O estudo também revela um aumento no uso do comércio digital: seis em cada dez moradores compram em marketplaces, com destaque para Shopee e Mercado Livre.

Apesar da força econômica, os moradores apontam carências. Entre os principais desejos estão:

  • Melhores condições de moradia (19%)

  • Acesso a hospitais e postos de saúde (18%)

  • Mais segurança (18%)

  • Melhor infraestrutura, como saneamento e iluminação (14%)

O levantamento, que mobilizou cerca de mil voluntários em todo o país, reforça a importância das favelas como territórios de potência e protagonismo, e não apenas como espaços de vulnerabilidade.

“A gente não quer mais ser estatística de tragédia. A gente quer ser estatística de consumo, de sonho, de investimento”, afirmou Marcus Vinícius Athayde, fundador do Data Favela.

Atualmente, o Brasil possui 12.348 favelas mapeadas, onde vivem 17,2 milhões de pessoas, o equivalente a 8,1% da população nacional. Se a população das favelas formasse um estado, seria o quarto mais populoso do país, superando inclusive a Bahia.