
A “missão” da militância petista é desgastar a imagem do ex-presidente – Foto: Reprodução
Enquanto ministros do governo Lula mantêm cautela diante da operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, a militância digital do PT se mobilizou com vídeos produzidos pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) para desgastar politicamente o ex-presidente.
Segundo apuração, os vídeos foram os mesmos divulgados oficialmente pelo governo, mas rapidamente adaptados e distribuídos em grupos de WhatsApp ligados ao partido. A estratégia se intensificou logo após o pronunciamento em cadeia nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de quinta-feira (17).
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A coordenação digital do PT disponibilizou ao menos dez versões editadas do discurso presidencial apenas três minutos após sua veiculação. Trechos em que Lula fala sobre “traidores da Pátria” foram destacados e disseminados em meio à repercussão da operação que impôs a Bolsonaro medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Os vídeos carregavam a assinatura de Mariana Gurgel Zoccoli, diretora da Secretaria de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Secom. Procurada, a diretora não respondeu.
A ação é parte da campanha digital “Pode Espalhar”, apoiada por estruturas como o Instituto Lula, Fundação Perseu Abramo e sindicatos, e executada por agências de comunicação contratadas pelo PT e entidades parceiras.
Uma das peças compartilhadas pelos militantes acusa Bolsonaro de ser o “mentor do 8 de Janeiro”, além de envolvê-lo em escândalos com joias. O conteúdo afirma: “Tentou fugir, esconder provas e calar testemunhas. Mas a PF bateu na porta. Pode espalhar que traidor da Pátria não tem vez porque aqui é Brasil”.
No X (antigo Twitter), o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, comemorou a operação. “Uma notícia maravilhosa. Confesso que estava agoniado com o receio de ele fugir do País”, escreveu.
A ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) foi a única integrante do primeiro escalão a se pronunciar com mais veemência. Ela reagiu após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sair em defesa de Bolsonaro, afirmando que “não haverá paz” sem “eleições livres, justas e competitivas”.
Gleisi criticou a fala e reiterou a legitimidade das decisões do STF. “O coro agressivo dos bolsonaristas só reforça a soberania da Corte para julgar quem atentou contra a democracia”, disse.
Em nota, a Secom declarou que seus servidores atuam exclusivamente na produção de conteúdo institucional do governo federal. Sobre os vídeos compartilhados pela militância petista, a pasta informou que o material foi distribuído a ministros, parlamentares e órgãos do governo como parte da rotina de comunicação oficial.
“A publicação em perfis do governo e do presidente é legítima e o engajamento para divulgação nas redes sociais é prática comum”, concluiu.
