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Provas reveladoras: Mauro Cid mente no STF sobre uso de redes sociais

Durante depoimento crucial, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro omitiu detalhes importantes sobre mensagens em redes sociais, levantando suspeitas sobre sua delação premiada e a possível anulação de benefícios.


Vilardi e Oliveira Lima, advogados de Bolsonaro pretendem usar mentira para pedir anulação da delação premiada – Foto: Ton Molina/STF

Provas reveladoras obtidas pela VEJA apontam que Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, mentiu durante seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF). As evidências, que envolvem trocas de mensagens comprometedores, indicam que Cid violou cláusulas do acordo de delação premiada ao mentir sobre o uso de redes sociais enquanto colaborava com a investigação.

Andrei Rodrigues, diretor da PF: queixas de Cid sobre os delegados que conduziram os inquéritos – Foto: Ton Molina/Fotoarena

No início de junho de 2025, Cid foi ouvido pelo STF como parte do processo envolvendo a tentativa de golpe de Estado orquestrada no final de 2022. Durante seu depoimento, ele se mostrou hesitante, repetindo diversas vezes frases como “não me lembro” ou “não me recordo”. No entanto, foi no final da audiência que uma pergunta aparentemente inocente do advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, desencadeou uma reviravolta. Vilardi questionou Cid sobre o uso de um perfil no Instagram (@gabrielar702), ao que Cid negou, afirmando não conhecer o perfil ou ter usado qualquer rede social para falar sobre sua delação. Quando pressionado, Cid gaguejou e mencionou que o perfil poderia ser de sua esposa.

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Esse momento revelador mostrou que o ex-ajudante de ordens, em violação a seu acordo com a Justiça, utilizou o Instagram para se comunicar com pessoas próximas, compartilhando detalhes de seu depoimento e das investigações em curso. As mensagens trocadas entre 29 de janeiro e 8 de março de 2024, período em que Cid estava usando tornozeleira eletrônica e proibido de se comunicar com outros investigados, mostram um Cid preocupado com sua situação e com os rumos do processo.

Nas conversas, Cid descreve a pressão que sofreu durante as oitivas, as críticas ao trabalho dos investigadores, e ainda revela suas crenças de que o ministro Alexandre de Moraes já tinha uma sentença pronta contra ele e outros envolvidos. Em várias mensagens, ele também se mostrou desiludido com o andamento das investigações, fazendo críticas ao STF e sugerindo que o então presidente Jair Bolsonaro não teria sido o principal articulador do golpe.

Sessão histórica: o interrogatório dos réus durou dois dias e não produziu novidades sobre o caso (Antonio Augusto/STF)

Ato de deslealdade e possível risco à delação

A postura de Cid pode resultar em sérias consequências. Ao desrespeitar as condições de seu acordo de delação e mentir ao STF, ele pode ter comprometido a validade de seu testemunho e seus benefícios processuais. Isso coloca em risco não apenas sua própria liberdade, mas também a continuidade das investigações, que dependem fortemente de suas revelações. Caso o acordo seja anulado, Cid poderá enfrentar as mesmas acusações dos outros réus, com penas de até 40 anos de prisão.

A situação se agrava ainda mais com a descoberta de que, antes mesmo de seu depoimento, Cid já havia sido advertido por Moraes sobre a obrigatoriedade de falar a verdade. Com isso, a mentira sobre o uso das redes sociais configura uma transgressão grave, passível de anulação do acordo de colaboração. A decisão sobre esse futuro agora está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que poderá revogar os benefícios concedidos a Cid, além de afetar a confiança nas demais provas apresentadas.

Reprodução

Impacto sobre o processo e o futuro de Cid

Cid, que em 2023 decidiu colaborar com a Justiça após perceber o risco de ser condenado a até 30 anos de prisão, fez revelações que foram fundamentais para o avanço do processo contra o ex-presidente Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe. No entanto, as falhas em sua conduta podem enfraquecer as acusações, que são sustentadas não apenas por seu depoimento, mas por um extenso conjunto de provas, incluindo celulares, computadores e outros documentos apreendidos.

Os advogados de defesa de Bolsonaro, ao perceberem a inconsistência no depoimento de Cid, podem usar essa mentira para contestar a delação, questionando a validade das informações fornecidas pelo delator. A estratégia de defesa pode também incluir a tentativa de transferir o caso para o plenário do STF, onde acreditam que a decisão pode ser mais favorável.

Em todo caso, a credibilidade de Cid no processo foi profundamente abalada. Com a descoberta das mensagens e a mentira que ele contou sob juramento, o futuro de seu acordo de delação parece incerto. E, conforme as regras do acordo, caso ele perca os benefícios, retornará às acusações originais, com a possibilidade de enfrentar uma sentença de prisão severa.

A repercussão desse caso, marcado por trocas de mensagens e acusações de manipulação, continua a se desenrolar. Com novas provas surgindo e as revelações de Cid sendo analisadas, o desfecho desse processo poderá ser determinante para o futuro de várias figuras políticas, incluindo o próprio ex-presidente Bolsonaro.

O aperto de mãos constrangido do ex-presidente com o ex-subordinado: primeiro encontro após as investigações – Foto: Ton Molina/STF

Bolsonaristas Preveem Nova Convocação e Possível Prisão de Mauro Cid após Mentiras

A tensão cresce com a revelação de que o tenente-coronel Mauro Cid teria mentido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e violado a ordem de não se comunicar no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022. Em reportagem divulgada pela revista Veja, foram apresentados prints de mensagens enviadas por Cid, utilizando um perfil no Instagram sob o nome “Gabriela R”. O conteúdo das mensagens sugere que o delator teria dado uma versão diferente da apresentada no acordo de colaboração premiada.

De acordo com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o escândalo envolvendo Cid é suficiente para levar o ministro Alexandre de Moraes a convocar novamente o tenente-coronel, com a possibilidade de prisão. A revelação de que Cid mentiu ao STF gerou especulações sobre o impacto nas defesas de outros réus, que podem intensificar os pedidos de anulação e nulidade processual.

No depoimento prestado ao STF no início da semana, Cid afirmou não ter utilizado redes sociais enquanto estava sob medidas restritivas. Ao ser questionado pelo advogado Celso Vilardi, defensor de Bolsonaro, sobre um perfil de Instagram que não estava em seu nome, Cid negou de forma desconcertante, afirmando que “não” tinha utilizado a conta. “Todos os meus celulares foram apreendidos”, acrescentou.

Contudo, a reportagem da Veja trouxe à tona a troca de mensagens entre Cid e um interlocutor próximo ao ex-presidente, contradizendo seu depoimento. As mensagens revelam um comportamento dúbio do militar, que relatava informações divergentes das apresentadas nas suas declarações à Justiça.

Apesar da gravidade das novas revelações, fontes no entorno de Bolsonaro não acreditam que o STF anule a delação de Cid, mas há um consenso de que os desdobramentos podem fortalecer a tese de que a investigação está sendo conduzida de maneira persecutória.

A situação continua a se desenrolar, e a expectativa é de que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, com impactos significativos para os envolvidos no caso.