Brasil

Ex-auditor do TCU esconde morte da mãe por 11 anos e frauda prova de vida para receber pensão da Câmara

Manoel Henrique Cardoso Pereira Lima recebeu R$ 3,9 milhões de forma indevida e chegou a levar uma mulher ao cartório para se passar pela mãe falecida; ele foi demitido e virou réu por estelionato.


Um ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) é acusado de ocultar por mais de uma década a morte da própria mãe para continuar recebendo ilegalmente sua pensão da Câmara dos Deputados. Entre 2011 e 2022, Manoel Henrique Cardoso Pereira Lima teria obtido, por meio da fraude, aproximadamente R$ 3,9 milhões. O caso foi descoberto em 2022, e o pagamento do benefício foi imediatamente suspenso.

Segundo investigações da Polícia Legislativa Federal (PLF) da Câmara dos Deputados, Lima utilizou diversos artifícios para manter a farsa. Em uma das ações mais audaciosas, ele levou uma mulher a um cartório em São Luís (MA) para se passar por sua mãe, com o objetivo de fraudar a prova de vida exigida para continuidade da pensão. O valor bruto mensal do benefício era de R$ 32,9 mil. A polícia localizou ainda o túmulo onde a verdadeira beneficiária havia sido sepultada.

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Com a comprovação da fraude, a Câmara dos Deputados acionou os órgãos de controle, e o TCU instaurou um processo administrativo disciplinar. A conclusão resultou na demissão de Lima do cargo de auditor federal de controle externo, decisão formalizada no dia 28 de abril de 2025.

O caso também teve desdobramentos na Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Manoel Lima por estelionato majorado. A 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal aceitou a denúncia em outubro de 2024, tornando-o réu. Paralelamente, o MPF ingressou com uma ação civil pedindo que Lima seja condenado a indenizar a União em R$ 2 milhões — valor a ser corrigido e acrescido de juros.

A defesa do ex-auditor ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.