O caso foi julgado pelo tribunal criminal de Côtes-d’Armor, na Bretanha, noroeste da França. Por estuprar e oferecer sua filha menor de idade a estranhos, recrutados online, o homem e a mulher foram condenados a 17 e 12 anos de prisão por “estupro agravado”, relata o site Armorique ici, citado por reportagem publicada no jornal Le Parisien.
O pai adotivo da menina, que começou a ser julgado na quarta-feira (22), foi acusado de estuprá-la quase todos os dias, durante cinco anos, a partir de 2017. Às vezes, a mãe participava ativamente do ato sexual.
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A vítima, agora com 18 anos, não quis que o julgamento fosse fechado “para que as pessoas soubessem”. Decisão semelhante à adotada por Gisèle Pelicot.
Na quinta-feira (23), no tribunal, a jovem disse que as agressões começaram quando ela estava “no CM2”, o equivalente francês do ensino fundamental.
“Eu gosto de assistir”
Como no caso de Gisèle Pelicot, o pai adotivo da usou o siteCoco.frpara publicar fotos nuas da menina e atrair a atenção de estranhos. Ele marcava encontro com esses internautas em locais como praias de nudismo, uma estação de trem desativada ou até em áreas de descanso de rodovias. Ele então entregava a filha adotiva a esses homens que estupravam a criança diante de seus olhos. “Gosto de assistir”, confessou o pai perante o tribunal criminal de Côtes-d’Armor, admitindo também ser viciado em sites pornográficos. “Ela começou a tomar pílula quando menstruou, na 5ª série. Eu tinha medo que ela engravidasse”, confidenciou.

Gisèle Pelicot ao deixar tribunal na França após seu ex-marido ser condenado a 20 anos de prisão por orquestrar e cometer estupros em massa contra ela com estranhos recrutados online — Foto: Miguel MEDINA / AFP
Outro homem, próximo da família e amante tanto da mãe quanto do pai, também abusou da adolescente pelo menos cinquenta vezes, de acordo com a investigação criminal. Ele foi condenado a 10 anos de prisão, também por “estupro qualificado”.
O site Coco.fr foi fechado pela justiça francesa e o seu fundador, o italiano Isaac Steidl, foi indiciado em Paris, em 9 de janeiro, por um juiz da Jurisdição Nacional de Combate ao Crime Organizado (Junalco). A plataforma, acusada de ter facilitado a prática de crimes, ganhou destaque no caso de estupro de Mazan, que repercutiu no mundo inteiro.
Dominique Pelicot, condenado a 20 anos de prisão, drogou a sua esposa Gisèle para estuprá-la e a ofereceu a dezenas de usuários da plataforma para que fizessem o mesmo.
Em 19 de dezembro, um tribunal francês composto por cinco juízes profissionais considerou culpados os 51 acusados – homens entre 27 e 74 anos – a maioria deles julgados pelo estupro agravado de Gisèle Pelicot entre 2011 e 2020. Após quase quatro meses de julgamento, o tribunal proferiu penas que vão desde 20 anos de prisão para Dominique Pelicot até três anos para alguns dos agressores.
No caso do tribunal de Côtes-d’Armor, após a leitura da sentença na sexta-feira, a jovem estuprada pelos pais e estranhos enxugou as lágrimas enquanto olhava para o horizonte através de uma grande janela”, escreve Armorique ici. Ela também sorriu, completa a reportagem, informando que no futuro ela quer se tornar policial.
