Brasil

Amazonas

Rio Negro em Manaus esta a 3 metros da maior vazante já registrada

A Defesa Civil de Manaus está em estado de alerta e informou que iniciou o planejamento para uma eventual crise. A Estiagem leva situação de emergência a 15 cidades do Amazonas


A cota do rio Negro, no Porto de Manaus, alcançou 16,41 metros nesta quarta-feira (27/09), a 2,78 metros da maior vazante já registrada, no dia 24 de outubro de 2010, quando o nível da água baixou a 13,63 metros. A Defesa Civil de Manaus está em estado de alerta e informou que iniciou o planejamento para uma eventual crise causada à população ribeirinha da capital com uma possível estiagem severa prevista para este ano.

O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Sérgio Fontes, informou que a prefeitura desenvolve plano de ação para minimizar os impactos da vazante. Segundo ele, servidores municipais realizaram, na última semana, visita técnica a 37 comunidades, cujos acessos se dão exclusivamente por meio fluvial, tendo em vista a necessidade de se antecipar a um eventual estado de situação de emergência, caso o nível do rio Negro reduza a patamar crítico.

Continua depois da Publicidade

“Caso a vazante continue se comportando da maneira atual, e tudo indica que deve continuar assim, o rio Negro poderá chegar a uma cota abaixo dos 15 metros, ficando em um quadro entre as maiores estiagens históricas da cidade. Em razão disso, estamos buscando auxiliar na execução das ações, principalmente para a prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação”, declarou Fontes.

O secretário da Semseg disse, ainda, que as tratativas com o titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Eduardo Lucas, e com o presidente do Fundo Manaus Solidária (FMS), Emerson Castro, estão em andamento, para que possam traçar estratégias com que a ajuda humanitária chegue às famílias afetadas pela estiagem.

Além das secretarias municipais, os trabalhos devem contar com o apoio do governo do Amazonas, por meio da Defesa Civil do Estado, além de órgãos da esfera federal. A última vazante recorde do rio Negro aconteceu em outubro de 2010, quando atingiu a cota de 13,63 metros.

Estiagem

Foto: reprodução

A situação de emergência no Amazonas devido à severa estiagem continua a se agravar, com um total de 15 municípios afetados até o momento, de acordo com a Defesa Civil do estado. As áreas mais atingidas se encontram nas calhas dos rios Alto Solimões, Juruá e Médio Solimões. Além disso, outros 40 municípios estão em estado de alerta, enquanto cinco estão em situação de atenção, afetando um total de 111 mil pessoas.

A perspectiva é de que a situação se deteriore ainda mais em outubro, quando a seca deve se intensificar. A Defesa Civil prevê que até dezembro cerca de quinhentas mil pessoas possam ser afetadas no Amazonas devido aos efeitos da estiagem.

“Estamos prevendo que, devido à influência do fenômeno climático El Niño, que inibe a formação de nuvens de chuva, a estiagem deste ano será prolongada e mais intensa do que em anos anteriores, podendo afetar mais de 50 municípios”, alertou a Defesa Civil.

Além do El Niño, que aumenta a temperatura das águas superficiais do oceano no Pacífico Equatorial, o aquecimento do Atlântico Tropical Norte, acima da linha do Equador, também contribui para a falta de chuvas na Amazônia. Esse clima mais quente dificulta a formação de nuvens de chuva na região.

O governo do Amazonas anunciou a implementação de medidas de apoio às famílias afetadas, incluindo assistência na área da saúde, fornecimento de água, distribuição de cestas básicas, kits de higiene pessoal, renegociação de dívidas e apoio aos produtores rurais.

A estiagem na região amazônica, enquanto desastre natural, caracteriza-se, além da falta de precipitações pluviométricas, pela descida das águas dos rios em níveis que inviabilizem a navegação de barcos.

Também tem relação direta com a queda intensificada das reservas hídricas de superfície e de subsuperfície, que traz como consequência a vazante dos rios em função das perdas de volumes de água, prejudicando o ir e vir das famílias, o escoamento de produção e a própria produção de subsistência, com o encarecimento dos alimentos e a dificuldade de obter proteínas por meio de pesca ou caça.

Com agências