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Seu rosto é nosso: os perigos do software de reconhecimento facial

Clearview AI está redefinindo nossa privacidade. A empresa de tecnologia com sede em Nova York está trabalhando para identificar e compilar os rostos de todos os seres humanos do planeta. A Clearview AI afirma que o banco de dados servirá como uma força para o bem, ajudando a solucionar crimes e prevenir a espionagem. Mas os riscos que isso acarreta são imensos.


Com a expansão do cadastro biométrico para os mais diversos usos pessoais, parece que estamos a um passo mais próximo do futuro. Afinal, autenticações com nossa biometria são mais eficientes, já que nossas digitais são, por natureza, únicas e difíceis de copiar. Mas esse progresso todo abre outros questionamentos: existem riscos no uso do reconhecimento facial?

Foto: reprodução

Em 2021 Christian Perrone, coordenador da área de Direito e Tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITSRio) explicou uma série de questões envolvendo o que realmente está em jogo com o reconhecimento facial.

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Perrone explica que as tecnologias de reconhecimento facial funcionam, de certa forma, como nossa própria memória. “É como olhar para um álbum de fotos antigo e saber que a pessoa que está lá é um colega de infância.” O especialista explica que a detecção ocorre em três etapas.

Primeiro, a máquina, uma inteligência artificial, identifica que na imagem existe o rosto de uma pessoa. Após isso, a maquina mapeia essa face, transformando no que se chama de dado biométrico. Por fim, ela compara o mapa facial com um banco de dados para daí determinar a pessoa específica que está na foto. Isto é, se ela se encontra no banco de dados que se está comparando.
Reconhecimento facial é como uma memória virtual

O reconhecimento facial como identificação individual não é tão antigo, e foi só a partir de 2011 que a tecnologia começou a ser incorporado nos nossos smartphones. Em sua estrutura mais básica, a tecnologia tem duas partes: uma que identifica e mapeia, e um banco de dados biométrico de rostos para comparar. Sem um dos lados, ela não funciona propriamente.

Foto: reprodução

Atualmente a Clearview AI diz que pretende coletar 100 bilhões de imagens – ou seja, 14 para cada pessoa no planeta – com a ajuda da Inteligência Artificial (IA).

Como você se sentiria se fotos de seu próprio rosto – fotos que você nem sabia que existiam – aparecessem nesse crescente banco de dados?

E se o poderoso software de reconhecimento facial da Clearview AI, que poderia ser usado para vigilância em massa e criação de perfis, caísse nas mãos erradas? E se já tiver?

Esta é a história não contada da Clearview AI, a história que a empresa não queria que contássemos.