Uma enfermeira foi morta e uma secretária ferida, na segunda-feira (22), em um hospital na cidade de Reims, a 144 km no nordeste de Paris. As duas mulheres foram atacadas por um homem de 59 anos com “antecedentes psiquiátricos”, declarou o ministro da Saúde francês, François Braun. O suspeito foi colocado em prisão provisória por tentativa de assassinato.
De acordo com um comunicado do procurador da República, as vítimas trabalhavam na unidade de Medicina e Saúde do Trabalho do Hospital Universitário (CHU) de Reims. Quando o ataque aconteceu, as duas estavam em um vestiário.
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O homem tentou fugir do local, mas foi detido por agentes de segurança, que alertaram a polícia. O agressor tinha uma faca de cozinha de aproximadamente 20 cm e reconheceu ter esfaqueado as vítimas.
A enfermeira, que se chamada Carène, tinha 37 anos. Ela chegou a receber assistência médica, mas não resistiu aos ferimentos. Sua morte foi anunciada pelo ministro da Saúde nesta terça-feira (23). “Meus pensamentos estão com os familiares, colegas, e todas as equipes do hospital em luto nesta manhã”, escreveu no Twitter.
O suspeito “parece ter agido sem motivo aparente, sobretudo porque ele não tinha consulta marcada no setor de Medicina e Saúde do Trabalho”, explica o comunicado do procurador de Reims, Matthieu Bourrette.
De acordo com o site da Franceinfo, o suspeito disse que estava revoltado com o ambiente hospitalar e explicou, de maneira confusa, ter sido maltratado durante anos por psiquiatras. Ele também afirmou que queria se vingar.
O agressor “aparenta sofrer de greves perturbações e é alvo de medida de tutoria reforçada há anos”, diz a nota do Ministério Público. Em 2022, o homem já havia sido inocentado em outro caso de violência, “por irresponsabilidade penal”, de acordo com a promotoria.
Ponta do iceberg
François Braun disse que a tragédia serve de lição. “Até o final desta semana vou convocar uma comissão com os interessados, os sindicatos, os profissionais” para “ver o que se pode fazer para garantir mais segurança para os profissionais de saúde”, declarou o ministro da Saúde durante uma coletiva, no hospital de Reims.
A Federação Hospitalar Francesa sublinhou em um comunicado que “a agressão” se insere “em um contexto mais geral marcado, nos últimos anos, por vários atos de violência física ou verbal em hospitais públicos”.
De acordo com um estudo sobre a violência sofrida por médicos, publicado na terça-feira (23), realizado pela Ordem dos Médicos, as tensões durante as consultas já não são uma “exceção”. Ameaças, insultos, roubos, agressões físicas: cerca de 1.244 foram contabilizadas em 2022. A entidade vem recolhendo este tipo de denúncia há 20 anos e é a primeira vez que elas ultrapassam a marca de 1.200.
Se comparado aos 120.000 médicos atendendo em consultórios e 60.000 nos hospitais na França, o número não impressiona. No entanto, a tendência é preocupante.
“Em contexto social muito tenso, assistimos a um aumento de quase 20% das ocorrências de um ano para o outro”, observa o Jean-Jacques Avrane, presidente do Conselho da Ordem dos Médicos de Paris e representante do Observatório da Segurança dos Médicos em entrevista à RFI.
Para ele, o caso da enfermeira assassinada é apenas a “ponta do iceberg”, já que o problema é vasto. “São principalmente clínicos gerais que informam sobre as agressões”, diz. Esses profissionais representam quase 70% das ocorrências. Segundo ele, o número de violências deve ser maior. “É complicado para o médico incriminar um paciente, que acompanha há anos e com quem estabeleceu uma relação de confiança”, diz.
“Infelizmente, estes profissionais são cada vez mais alvo de atos de violência: 37% dos profissionais de saúde dizem ter sido vítimas no ano passado”, reagiu a presidente da Federação de Hospitalização Privada, Lamine Gharbi. “Essa violência em ambientes de saúde, como em Reims, é absolutamente intolerável”, completou.
“O mundo da psiquiatria está extremamente carente de recursos”, disse Arnaud Chiche, anestesista, presidente do Coletivo Saúde em Perigo, na segunda-feira à Franceinfo. “Desde a crise da Covid, o clima se degradou” com “muitos cuidadores ameaçados”, acrescenta. Segundo ele, a psiquiatria precisa de “profissionais específicos que devem ser valorizados”.
Deputados e membros do governo fizeram um minuto de silêncio na Assembleia Nacional francesa nesta terça-feira em homenagem à enfermeira assassinada.
