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Veja vídeo: Universitária hostilizada por ter mais de 40 anos ganha bolsa para estudar na inglaterra

O mundo dando voltas: Patrícia Linares, de Bauru (SP), divulgou nas redes sociais que foi presenteada por uma bolsa de intercâmbio de duas semanas. Ela fala sobre a oportunidade durante evento de educação internacional realizado em SP.


A estudante Patrícia Linares, de 45 anos, que foi alvo de etarismo ao ser hostilizada por colegas em Bauru (SP) disse, em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (1), que ganhou uma bolsa para estudar na Inglaterra.

A postagem que já tem mais de 16 mil curtidas no Tik Tok foi feita durante um evento de educação internacional, o Global Access Through Education.

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A estudante explicou que trata-se de uma bolsa de intercâmbio onde ela irá estudar, por duas semanas, a língua inglesa. O curso será durante as férias da faculdade, provavelmente em janeiro do ano que vem.

“Estou muito emocionada, não esperava um presente desse. Eu já me imagino lendo os artigos científicos em inglês”, comemora.

Patrícia foi convidada para participar do evento que é realizado até este domingo (2) em São Paulo e durante a programação, neste sábado, ela gravou o vídeo em que fala sobre a bolsa.

“Eu acabei de ganhar uma bolsa de estudos na Inglaterra. Então eu gostaria que vocês investissem na educação. Você que está pensando e não tem coragem, você que quer e é esse é o seu sonho e você não quer por causa da idade, vamos fazer o seguinte – a idade não nos define, a idade é só número – então vamos colocar o nosso sonho para correr”, diz a estudante de biomedicina.

Patrícia foi ofendida por três então colegas de curso que debocharam da estudante por ela estar fazendo faculdade com mais de 40 anos.

Patrícia Linares foi vítima de etarismo por três colegas de sala em uma universidade particular de Bauru (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Patrícia Linares foi vítima de etarismo por três colegas de sala em uma universidade particular de Bauru (SP) — Foto: Arquivo pessoal

O vídeo gravado pelas três jovens foi postado nas redes sociais no dia 10 de março e viralizou com mais de 7 milhões de visualizações em menos de uma semana.

Nas imagens, uma das universitárias ironiza: “Gente, quiz do dia: como ‘desmatricula’ um colega de sala?”. Logo depois, outra responde: “Mano, ela tem 40 anos já. Era para estar aposentada”“Realmente”, concorda a terceira.

Em seguida, a estudante que grava o vídeo diz: “Gente, 40 anos não pode mais fazer faculdade. Eu tenho essa opinião”. Elas chegam a dizer que a mulher “não sabe o que é Google”.

O caso gerou repercussão em todo o Brasil, sendo comentado até mesmo pelos ministros dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, e da Educação, Camilo Santana, que repudiaram o etarismo contra Patrícia. Nas redes sociais, alunos com mais de 40 anos criaram uma corrente de apoio para a universitária.

Boletim de ocorrência

Universitárias debocham de colega de 40 anos — Foto: Reprodução

Universitárias debocham de colega de 40 anos — Foto: Reprodução

O caso também é investigado pela Polícia Civil, no último dia 20 de março, Patrícia registrou um boletim de ocorrência por injúria e difamação contra as estudantes.

O registro, a estudante de biomedicina aponta que as jovens Giovana Cassalatti, Beatriz Pontes e Bárbara Calixto a trataram de forma pejorativa e discriminatória ao perguntar “como faz para desmatricular uma aluna de 40 anos” e insinuar que ela deveria estar aposentada, “porque sequer sabe mexer no Google”.

Especialistas da área do direito já haviam alertado para a possibilidade das três alunas responderem na Justiça pelo episódio, sendo, em tese, pelos seguintes crimes:

  • Injúria: que é ofender a dignidade ou a honra de alguém. A pena pode ser de detenção, de um a seis meses, ou multa.
  • Difamação: que é ofender a reputação de alguém, mesmo que o fato seja verídico. A pena pode ser de detenção de três meses a um ano, e multa.
  • Violência psicológica: que é causar dano emocional à mulher mediante constrangimento e ridicularização, entre outros pontos. A pena é de reclusão de seis meses a dois anos e multa.

Após a repercussão do caso de etarismo, as três estudantes desistiram da graduação, informação que foi confirmada pela própria instituição Unisagrado no dia 16 de março.

Fonte: G1