Política

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Wilker Barreto gasta R$ 97 mil do Cotão com impressos, que geram prejuízo ambiental

Deputado diz que cerca 20 mil folders e informativos produzidos por mês são distribuidos no estado mas ambientalista aponta que regiões ecologicamente sensíveis como o Amazonas precisam de alternativas mais sustentáveis.


O deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) gastou – de janeiro a junho deste ano – R$ 97,3 mil da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), o famoso ‘Cotão’, com o serviço de informativos parlamentar que consiste na impressão de folders, banners e outdoor. No entanto, especialista entrevistado pelo portal AM POST aponta que a distribuição desse material tem várias implicações ambientais.

De acordo com dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a empresa MxPrint Marketing LTDA, de CNPJ 02.487.846/0001-23, é a contratada pelo deputado para realizar o serviço.

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Na Aleam, a empresa MxPrint Marketing LTDA presta serviços para Wilker Barreto desde março de 2021 e, no total daquele ano ela ganhou R$ 143,350 mil do Cotão. Em 2022, que foi ano eleitoral, a empresa faturou do Cotão de Barreto R$105.014 mil.

Durante a campanha eleitoral de Wilker Barreto das eleições de 2022, a empresa também trabalhou para o deputado e faturou R$14.295 mil, conforme dados do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Foto: reprodução

Resposta de Barreto

A reportagem do Portal AM POST, procurou o deputado Wilker Barreto para questionar sobre o gasto e por meio de sua assessoria de imprensa ele disse que utiliza desses informativos para prestar contas de seu mandato com os eleitores.

O deputado preza pela ampla divulgação de suas ações, discursos, lutas, cobrança, posicionamentos. A prestação de contas destas atividades ocorre ao cidadão por meio de informativos, folders, banners, seja nos bairros da capital e no interior do Amazonas. A divulgação da atividade parlamentar é tratada como direito-dever dos agentes políticos durante todo o mandato. O investimento realizado é legal e está dentro dos parâmetros da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar. Este material é distribuído em todas as zonas, sempre de maneira atualizada“, disse.

Questionado sobre a quantidade de material produzido ele disse que mensalmente são feitos cerca de 20 mil folders para serem distribuídos em todas as zonas de Manaus e no interior do Amazonas.

“De serviços gráficos voltados para folders/ informativos é feita uma média de 20 mil unidades por mês. Banners, pasta, e demais tem variação, dependendo da programação de ações, com tiradas de 6, 10 mil unidades. São serviços somados”, disse.

Impacto ambiental
Além de Wilker quase todos os deputados da Aleam são adeptos da prática de impressão desse material para distribuição a população, no entanto, o ambientalista florestal Leonan Valente afirma que isso tem várias implicações no meio ambiente que devem ser consideradas como emissões de carbono, poluição da água e do solo.

A distribuição em massa de folders resulta em uma quantidade significativa de resíduos sólidos, já que a maior parte desses materiais geralmente acaba sendo descartada após o uso. Isso contribui para a acumulação de lixo em vias públicas, ‘lixeiras viciadas’, aterros sanitários e pode levar anos para se degradarem. Além disso o processo de produção de papel, desde o desmatamento até a fabricação e transporte, contribui para a emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. Isso pode agravar as mudanças climáticas, afetando ainda mais a região e o planeta como um todo”, disse o especialista em entrevista ao AM POST.

A produção de papel envolve o uso de produtos químicos, como branqueadores e tintas, que podem contaminar a água e o solo se não forem gerenciados adequadamente. Isso pode ter impactos negativos na qualidade da água potável e nos ecossistemas locais“, completou.

Alternativas

De acordo com o ambientalista é importante que os deputados considerem alternativas mais sustentáveis para a comunicação política, especialmente em regiões ecologicamente sensíveis como o Amazonas.

Optar por meios de comunicação digital, como sites, redes sociais e e-mails, reduz a necessidade de produção em papel e distribuição física. Se a produção de materiais impressos for inevitável, considerar o uso de papel reciclado ou certificado pelo FSC (Forest Stewardship Council), que garante práticas de manejo florestal responsável”, sugeriu Leonan Valente.

Em vez de produzir uma grande quantidade de materiais, os políticos podem investir em campanhas de conscientização sobre questões ambientais, promovendo a importância da preservação do meio ambiente. Caso a distribuição de materiais seja necessária, garantir que seja feita de maneira responsável, recolhendo os materiais após o uso e promovendo a reciclagem“, destacou.

Com informações do Portal AM POST