
Uma mulher vota em Caracas na manhã de domingo, 25 de maio – Foto: Ariana Cubillos
As eleições parlamentares e estaduais realizadas neste domingo (25) na Venezuela ocorreram sob forte controvérsia, com relatos de repressão, denúncias de fraude e baixa participação popular. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão controlado pelo governo, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado por Nicolás Maduro, obteve 82,6% dos votos e venceu em 23 dos 24 governos estaduais, com 90% das urnas apuradas. A abstenção foi de 57,4%, um dos índices mais altos da última década.
O resultado foi comemorado por Maduro como uma demonstração da força do chavismo. “Essas pessoas conseguiram resistir. Hoje demonstramos a força da revolução”, afirmou após votar. No entanto, a baixa adesão às urnas evidenciou a rejeição da população ao processo eleitoral, amplamente criticado por organizações internacionais e líderes opositores.
Continua depois da Publicidade

O ditador Nicolás Maduro votando no domingo (25) pela manhã em Caracas – Foto: Leonardo Fernández Viloria (REUTERS)
Nas 48 horas que antecederam o pleito, ao menos 70 pessoas, entre ativistas e líderes opositores, foram presas. A repressão contribuiu para aumentar o clima de tensão e desconfiança. Delegações internacionais de observação, como a do Carter Center, optaram por não acompanhar as eleições, após relatarem falta de transparência nas eleições presidenciais de julho, também vencidas por Maduro sob denúncias de irregularidades.
A líder opositora María Corina Machado, que boicotou as eleições, elogiou a população pela adesão à abstenção. “Mais de 85% dos venezuelanos disseram ‘não’ ao regime. Até servidores públicos se recusaram a participar”, declarou em vídeo nas redes sociais. Durante o dia, ela e seus apoiadores compartilharam imagens de seções eleitorais vazias em diversas regiões do país.

O candidato da oposição Henrique Capriles vota em Caracas, Venezuela – Foto: Ronald Peña (EFE)
Grupos opositores minoritários, como a Aliança Democrática (6,25%), Unidade e Mudança (5,18%) e Força Vecinal (2,57%), participaram da disputa, mas obtiveram desempenho modesto. Henrique Capriles, ex-candidato presidencial, defendeu a participação como forma de expressão democrática. “Temos opiniões diferentes. Acredito que é preciso votar para reivindicar nossos direitos”, afirmou.
Apesar do baixo comparecimento, o CNE estendeu o horário de votação por mais uma hora, alegando “alta participação em alguns centros”. A medida foi criticada por opositores como uma tentativa de manipular a percepção pública do processo.

Um homem verifica as listas em uma seção eleitoral – Foto: MAXWELL BRICENO (REUTERS)
Internacionalmente, o pleito também gerou reações. O governo dos Estados Unidos condenou a inclusão da região de Essequibo, território em disputa com a Guiana, como entidade federal nas eleições. Em comunicado, Washington classificou a manobra como uma “tentativa ilegítima de minar a integridade territorial da Guiana”.
Para analistas, a eleição deste domingo reforça a tendência de centralização do poder por parte do regime chavista, que segue adotando estratégias para neutralizar a oposição e manter o controle das instituições do país. Ainda que o governo comemore os resultados, a elevada taxa de abstenção pode se tornar um símbolo da crescente desconexão entre o poder e a população venezuelana.
