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‘Rei morto, rei posto’: Renato Júnior deixa David Almeida à deriva e mergulha de vez nos braços de Omar Aziz

Após coordenar a campanha do ex-prefeito e vê-lo naufragar nas urnas, Renato acelera aproximação com o governador eleito, mira 2028 e começa a desenhar um futuro político longe da sombra do antigo padrinho.


Na política, a gratidão costuma ter prazo de validade. E, em Manaus, o velho ditado “rei morto, rei posto” ganhou um novo capítulo. Há quase sete meses à frente da Prefeitura, Renato Júnior parece decidido a deixar para trás a sombra de seu padrinho político, David Almeida, e embarcar de vez na canoa do governador eleito Omar Aziz.

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A vitória de Omar no último domingo (25) foi a senha para Renato intensificar uma aproximação que já vinha sendo construída desde a eliminação de David no primeiro turno. Enquanto o ex-prefeito tenta se recuperar do duro golpe das urnas, seu antigo pupilo ocupa os holofotes ao lado do novo dono do poder estadual.

Renato não esperou sequer a posse do governador eleito para ressuscitar do baú da política amazonense a famosa “ação conjunta”, fórmula de parceria entre Estado e município consagrada nos tempos do lendário Amazonino Mendes.

“Estamos juntos e vamos trabalhar juntos pelo povo de Manaus”, anunciou o prefeito nas redes sociais, em mais uma demonstração de sintonia com Omar.

A velocidade dessa mudança de protagonismo chama atenção.

Afinal, Renato Júnior não era um aliado qualquer de David Almeida. Era seu homem de confiança, amigo, afilhado político e coordenador da campanha que terminou com o ex-prefeito amargando a quarta colocação no primeiro turno das eleições estaduais.

E há uma ironia ainda maior nessa história: o grande vencedor da disputa foi justamente Omar Aziz, o antigo “irmãozão” de David, a quem o ex-prefeito havia prometido apoio irrestrito quando ainda comandava a Prefeitura de Manaus. Uma promessa que acabou engolida por suas próprias ambições eleitorais.

Renato, por sua vez, demonstrou que não pretendia ficar parado à espera dos próximos movimentos do padrinho. Já no dia 5 de outubro, menos de 24 horas depois da derrota de David, anunciou apoio a Omar Aziz. Posteriormente, o próprio Avante também oficializou a adesão à candidatura do senador.

Mas uma coisa é o apoio partidário. Outra, bem diferente, é a velocidade com que Renato passou a construir uma relação política própria com o futuro governador.

Renato mira 2028 e fortalece aliança com Omar Aziz

Com um olho na Prefeitura de Manaus em 2028 e outro no Palácio do Governo, o prefeito trata de se posicionar no novo tabuleiro do poder. A anunciada “ação conjunta” surge não apenas como promessa administrativa, mas também como uma vitrine política capaz de fortalecer seu projeto de reeleição.

Na festa da vitória, Renato fez questão de reafirmar publicamente a nova parceria:

“Quero dizer para o senhor que Manaus acaba de ganhar um forte aliado. Agora teremos um governador que vai cuidar de Manaus também”, declarou, ao lado de Omar Aziz.

O recado político é evidente: Renato quer deixar de ser visto como o sucessor de David para se consolidar como uma liderança com projeto, identidade e alianças próprias.

A questão é saber até onde essa emancipação política poderá avançar.

Renato continua filiado ao Avante, partido comandado no Amazonas por David Almeida. Mas a crescente proximidade com Omar abre espaço para especulações sobre seu futuro partidário. Uma eventual mudança de legenda, mirando as eleições municipais de 2028, representaria mais um passo no distanciamento de quem o conduziu ao comando da Prefeitura.

O precedente de Tadeu de Souza, que também se afastou politicamente de David Almeida e buscou novos caminhos partidários, mostra que antigas alianças nem sempre sobrevivem às mudanças de poder.

Resta saber se Renato Júnior seguirá o mesmo roteiro ou se tentará preservar, ao menos publicamente, os laços com o antigo padrinho.

Por enquanto, uma coisa parece clara: David saiu enfraquecido das urnas, enquanto Renato se apressa em conquistar espaço na nova configuração do poder amazonense.

Na política, as canoas mudam de rumo conforme a correnteza. E Renato Júnior já parece ter escolhido em qual delas pretende navegar. O problema é que, nessa travessia, David Almeida corre o risco de ficar sozinho, à deriva, nas águas do rio Negro.