Política

Amazonas

Ex-integrantes de Caprichoso e Garantido declaram apoio a Flávio Bolsonaro e fazem críticas a Lula

Vídeo publicado nas redes sociais reúne seis artistas ligados ao Festival de Parintins e aborda temas como corrupção, segurança pública, custo de vida, Lei Rouanet e liberdade de expressão; declarações incluem opiniões políticas e afirmações que exigem comprovação.


Foto: Reprodução/Em Tempo

 

Ex-integrantes dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido manifestaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República e criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi divulgada em vídeo nas redes sociais e reúne seis nomes que fizeram parte de itens importantes do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.

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Na gravação, os participantes apresentam diferentes justificativas para rejeitar a continuidade do governo Lula. Entre os assuntos mencionados estão segurança pública, fraudes contra aposentados, aumento dos preços nos supermercados, financiamento de projetos culturais, liberdade de expressão, igualdade e defesa da vida.

O posicionamento ocorre em meio à reta final da disputa presidencial de 2026. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.

Entre os participantes do vídeo estão Ana Luísa Faria, ex-sinhazinha da Fazenda do Boi Garantido; Jeane Benolieu, que já foi sinhazinha da Fazenda, cunhã-poranga e porta-estandarte do Boi Caprichoso; e Tatiane Barros, ex-porta-estandarte e cunhã-poranga do Garantido.

Também aparecem Waldir Santana, que atuou durante 30 anos como pajé do Caprichoso; Raissa Barros, ex-porta-estandarte do Garantido; e Karyne Medeiros, ex-sinhazinha da Fazenda e porta-estandarte do Caprichoso.

As falas abordam temas que estão no centro do debate político nacional. Entretanto, é importante diferenciar as opiniões dos participantes de afirmações factuais que precisam ser sustentadas por dados, documentos ou decisões oficiais.

Segurança pública e fraudes contra aposentados

Jeane Benolieu relaciona sua decisão eleitoral à segurança pública e ao escândalo dos descontos indevidos em benefícios previdenciários.

“Eu fui sinhazinha, cunhã-poranga e porta-estandarte do Boi Caprichoso e eu não voto no Lula. Porque ele é o preferido dos presídios. Tem o voto de quem roubou o seu celular e os idosos do INSS”, declarou.

A afirmação de que Lula seria o candidato preferido da população carcerária não é acompanhada, no vídeo, de levantamento ou dado que comprove essa preferência.

Pela legislação eleitoral brasileira, pessoas presas provisoriamente podem votar, desde que atendam às condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Já pessoas com condenação criminal definitiva têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação.

O tema também ganhou espaço na campanha presidencial de 2026, com discussões públicas entre os candidatos sobre o voto de pessoas presas. As regras eleitorais, contudo, não permitem concluir que determinado candidato seja o preferido desse grupo sem dados específicos.

Em relação ao INSS, investigações sobre descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões apuram possíveis irregularidades que afetaram beneficiários da Previdência Social. A existência das investigações não comprova, por si só, responsabilidade individual de uma pessoa ou preferência eleitoral de pessoas envolvidas em crimes.

Custo de vida e preços dos alimentos

A alta dos preços nos supermercados é outro motivo apresentado por Jeane para justificar sua oposição ao atual presidente.

“Eu tô fora do Lula porque ele prometeu picanha e entregou o supermercado mais caro. E falou: se tiver caro, não compre. E o povão passando necessidade”, afirmou.

Os dados oficiais mostram que os alimentos tiveram impacto relevante na inflação em 2026. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alimentação no domicílio registrou alta de 1,65% em maio. No mesmo mês, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, avançou 0,58%.

O resultado confirma o aumento médio dos preços naquele período, mas não é suficiente, isoladamente, para avaliar toda a evolução do custo de vida durante o governo federal. Para isso, é necessário considerar os índices acumulados, os diferentes grupos de produtos e a variação da renda das famílias.

Também é importante distinguir inflação de redução de preços. Quando a inflação desacelera, os produtos continuam podendo ficar mais caros, apenas em ritmo menor.

Os números podem ser consultados na divulgação do IPCA de maio de 2026 pelo IBGE.

Lei Rouanet e financiamento da cultura

A política cultural também aparece entre os pontos criticados no vídeo. Waldir Santana questiona a destinação de recursos incentivados a artistas conhecidos e defende maior valorização de festivais e manifestações culturais regionais.

“A Lei Rouanet está sendo usada como cabo eleitoral por artistas já consagrados, onde, na verdade, deveria fortalecer os nossos festivais e manifestações culturais”, declarou.

A gravação, entretanto, não apresenta exemplos documentados de projetos financiados pelo mecanismo que tenham sido utilizados irregularmente para fins eleitorais.

A Lei Rouanet, criada pela Lei nº 8.313/1991, integra a política federal de incentivo à cultura. Por meio de um mecanismo de incentivo fiscal, pessoas físicas e empresas podem destinar parte do Imposto de Renda devido a projetos culturais previamente aprovados, respeitadas as regras legais.

A aprovação de um projeto não significa que o valor autorizado tenha sido integralmente arrecadado. Os responsáveis precisam captar recursos junto a incentivadores para viabilizar as iniciativas e cumprir as exigências de execução e prestação de contas.

O mecanismo contempla diferentes segmentos culturais, e a análise de eventuais irregularidades depende de informações específicas sobre cada projeto, seus responsáveis e a aplicação dos recursos.

As regras podem ser consultadas na página oficial do Ministério da Cultura sobre a Lei Rouanet.

Orientação sexual e igualdade

Waldir Santana também relaciona sua posição política à forma como deseja ser reconhecido socialmente.

“Tô fora do Lula por eu ser gay e quero ser reconhecido pelo que eu construo e não pelas minhas intimidades”, afirmou.

A declaração representa a percepção pessoal do ex-pajé sobre identidade, reconhecimento profissional e política. No trecho divulgado, ele não indica uma medida específica do governo federal que condicione o reconhecimento profissional à exposição da vida privada.

Tatiane Barros, por sua vez, critica o que considera uma divisão da sociedade provocada pelo presidente e pelo Partido dos Trabalhadores.

“Ele e seu partido dividiram as pessoas. Todos deveriam ser iguais, mas agora é uma grande confusão. É preto contra branco, homossexual contra hétero, mulher contra homem e por aí vai”, disse.

A fala expressa uma avaliação política sobre as relações sociais. Para verificar a relação de causa e efeito apontada pela participante, seria necessário identificar quais políticas ou acontecimentos são questionados e analisar evidências sobre seus impactos.

A Constituição Federal estabelece a igualdade perante a lei e assegura direitos fundamentais. O debate sobre políticas de igualdade, portanto, envolve tanto os objetivos das medidas adotadas quanto a avaliação de seus resultados concretos.

Liberdade de expressão e atuação do Judiciário

Raissa Barros cita a liberdade de expressão como uma das razões para não apoiar Lula.

“A minha liberdade de expressão é a base da democracia e hoje ela está em jogo. Por isso, eu tô fora”, declarou.

A liberdade de expressão é um direito fundamental previsto na Constituição brasileira. A afirmação de que esse direito está ameaçado, porém, precisa ser analisada a partir de episódios, medidas ou decisões específicas que sustentem a avaliação.

Sem a indicação desses exemplos, a declaração permanece no campo da opinião política.

Ana Luísa Faria também faz críticas ao governo federal e à atuação das instituições judiciais. Segundo ela, a corrupção atribuída ao PT prejudicaria o desenvolvimento do país.

“Fui sinhazinha do Boi Garantido do Festival Folclórico de Parintins e não voto no Lula. A corrupção desenfreada do PT não deixa o nosso país crescer e, por isso, eu tô fora”, afirmou.

Em outro trecho, a ex-sinhazinha diz não querer “um sistema judiciário que proteja o governo às custas do povo de bem”.

As declarações não identificam, no material apresentado, processos ou decisões judiciais específicos que comprovem as acusações nos termos utilizados.

Para avaliar alegações de corrupção, é necessário distinguir investigações em andamento, denúncias formalizadas, decisões judiciais e condenações definitivas, além de identificar os agentes públicos ou privados envolvidos em cada caso.

Defesa da vida e proteção das crianças

Karyne Medeiros apresenta argumentos relacionados a valores pessoais e à proteção da infância para justificar sua posição eleitoral.

“Defendo a vida desde a concepção e a proteção das nossas crianças. Por isso, eu tô fora”, declarou.

A fala expressa uma posição moral e política. No vídeo, a participante não aponta uma medida específica do governo Lula que considere incompatível com esses princípios.

Sem a identificação da política questionada, não é possível avaliar objetivamente a relação entre a declaração e as ações do governo federal.

Manifestação política em meio à disputa presidencial

O vídeo reúne seis ex-integrantes dos bois-bumbás de Parintins em uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro e oposição a Lula. As declarações abrangem temas econômicos, sociais, culturais e institucionais que fazem parte do debate eleitoral brasileiro.

A manifestação também evidencia o envolvimento de pessoas ligadas à cultura popular amazonense na discussão política nacional. O fato de os participantes terem integrado itens tradicionais do Caprichoso e do Garantido, no entanto, não significa que suas posições representem oficialmente os bois-bumbás ou a totalidade de seus integrantes e torcedores.

Para compreender as declarações, é necessário separar preferências eleitorais e avaliações pessoais de afirmações que podem ser confrontadas com dados públicos, legislação e registros oficiais.

Até que sejam apresentados elementos específicos para sustentar as acusações feitas no vídeo, elas devem ser tratadas como posicionamentos dos participantes, e não como fatos comprovados.