O ex-governador Amazonino Mendes, de 83 anos, internado desde a última quarta-feira (23) no Hospital Sírio-Libanês, no Centro de São Paulo, faleceu neste domingo (12). O quadro de saúde dele, ate então exigia cuidados, e o ex-governador continuou consciente e resistindo. Ele teve uma crise de diverticulite (inflamação no intestino grosso).

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Foto: reprodução
Amazonino Mendes foi governador do Amazonas em quatro ocasiões (1987-1990; 1995-2003; 2017-2018), senador, na década de 90, e prefeito de Manaus em três mandatos (1983-1986; 1993-1994; 2009-2013).
Histórico
Amazonino Armando Mendes, Filho de Armando de Souza Mendes e Francisca Gomes Mendes, nasceu em Eirunepé, interior do Amazonas distante 1.160 km da capital, em 16 de novembro de 1939. Advogado, empresário e político, foi prefeito de Manaus, governador do Estado do Amazonas e Senador da República. Formado em direito pela Universidade Federal do Amazonas. Foi casado com Tarcila Prado de Negreiros Mendes, com quem teve três filhos, Cristina, Armando e Livia.
Tarcila Mendes faleceu em 2015.


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Amazonino fez carreira no Departamento de Estradas e Rodagem do Amazonas entre as décadas de 1970 e 1980.
Prefeito de Manaus (1983–1986)


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Em 1983 Amazonino assumiu a Prefeitura de Manaus, indicado no ano anterior por Gilberto Mestrinho. Durante esse seu primeiro mandato, regularizou invasões e urbanizou bairros, alguns deles com mais de 30 anos, pavimentando mais de 600 ruas em dois anos e dois meses de sua gestão.
Criou o projeto Meu Filho, voltado para as crianças em situação de risco, bem como outros projetos, como o Espiral e Restaurante do Pequeno Trabalhador.


(Foto: Divulgação/Secom)
Em 1986, o jingle de campanha de Amazonio foi marcante.
Tá no ar a voz do povo
Despertando a emoção
Dando lugar a um sentimento novo
Uma mensagem vem do coração
Deixo girar a roda do destino
Sei que vou votar, vou votar no Amazonino!
Deixo girar a roda do destino
Sei que vou votar, vou votar no Amazonino!
Seu caminho é certo
Cada um do povo é seu irmão
Com a bandeira de Gilberto
Tu terás outra missão
Deixo girar a roda do destino
Sei que vou votar, vou votar no Amazonino!
Deixo girar a roda do destino
Sei que vou votar, vou votar no Amazonino!
Governador do Amazonas (1987–1990)
Em 1989 Amazonino extinguiu a Polícia Civil, alegando que a mesma estava podre e corrupta. A avalanche de ações judiciais impetradas por delegados e policiais colocados em disponibilidade fizeram Amazonino restaurar o “status quo”.
Nesse seu primeiro mandato lançou as bases para o crescimento do Festival de Parintins. Em 1988, ele construiu o Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como “Bumbódromo”, com capacidade para 35 mil pessoas, sendo utilizada como escola nos outros períodos do ano.

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Em Manaus continuou com obras de urbanização de diversos bairros, ajudou a implantar outros como o Mutirão, bairro Armando Mendes e construiu dezenas de casas populares. Construiu os conjuntos Renato Souza Pinto e Oswaldo Frota, bem como de vários núcleos residenciais ampliando o conjunto Cidade Nova. É de sua administração também a restauração do Teatro Amazonas (tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1966) e do Reservatório do Mocó, também patrimônio cultural do Estado.

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No âmbito social, implantou um programa de combate à fome fornecendo ranchos (cestas básicas) a milhares de famílias carentes – que, foi mantida durante todo o seu governo.
Em 1990, elegeu-se Senador da República.
Prefeito de Manaus (1993–1994)
Nos dois anos de mandato, promoveu uma revitalização dos pontos turísticos e das avenidas da cidade, duplicando e embelezando os canteiros de algumas das principais vias, constrói os primeiros dois viadutos, várias áreas de lazer, promove várias ações sociais. Urbanizou diversos bairros nesse período e encerra o ano de 93 com a inauguração do complexo da Praia da Ponta Negra, um dos cartões postais da cidade, além de implantar o SOS Manaus, o primeiro serviço de resgate de emergência pública.

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Em 1994 deixa a prefeitura para assumir o segundo mandato de governador, tendo sido eleito em 1º. turno.
Governador do Amazonas (1995–1998)
Amazonino se elege governador pela segunda vez. Lança as bases para a revitalização da economia no interior do Estado, o Terceiro Ciclo, incentiva a agricultura em larga escala na região Sul do Estado.
Em Manaus constrói o Pronto Socorro João Lúcio, com o pronto socorro infantil anexo, o Joãozinho, os Centros de Atendimento Integral à Criança (Caics), os Centros de Atenção Integral a Melhor Idade (Caimi) proporcionando um amplo atendimento aos pacientes; reforma e amplia o Hospital Adriano Jorge.

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Em 1996 criou um bairro e um hospital para homenagear sua mãe, ambos com o nome de dela Francisca Mendes. O Hospital foi concebido para ser um hospital de alta complexidade, inclusive para realização de transplantes, e foi onde ficou hospitalizado quando sofreu um acidente em Presidente Figueiredo, município a 107 km de Manaus, em 2004, negando-se a ser removido para hospitais particulares.
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Logistica: Amazonino diz como asfaltou a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista
A BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) foi asfaltada em 1998. Antes a estrada era no barro e a viagem de Manaus à Boa Bista em Roraima demorava até 10 dias por conta dos atoleiros e das balsas. Amazonino asfaltou 255 quilômetros da BR que atravessam o território amazonense e construiu pontes, tudo com recursos próprios apesar da estrada ser federal. Hoje, a viagem é feita em poucas horas e abriu novas perspectivas econômicas para o Estado.

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Amazonino decidiu asfaltar a BR-174 por saber da importância estratégica da rodovia para a economia amazonense; para a exportação dos produtos da Zona Franca de Manaus para o Caribe venezuelano e a partir daí para o mundo, para o fortalecimento do turismo em Presidente Figueiredo, e para a geração de emprego e renda para os amazonenses.
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“A BR 174 era federal no nome, mas amazonense no sofrimento. Era um sonho de um século, mas está aí, foi feita” Amazonino Mendes.
Educação
Uma das obras mais importantes para o Estado, doi a implantação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Hoje a universidade dá oportunidade não somente aos jovens de Manaus mas também aos do interior do Estado, o acesso ao ensino superior através da construção de vários campus da universidade, até então restrita à Universidade Federal do Amazonas, com apenas três campus avançados no interior do Estado.

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Reeleito Governador do estado do Amazonas de 1999 a 2002.
Prefeito de Manaus (2009–2012)
Amazonino prometeu que logo que assumisse, em 1º de janeiro, iria criar uma operação tapa-buracos de emergência nas ruas de Manaus, diminuir pela metade as 36 secretarias municipais e pactuar projetos para a capital com o então governador Eduardo Braga (PMDB).
Em 2009 criou o Programa Bolsa Universidade.
Governador do Amazonas (2017–2019)
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Amazonino disputou pelo PDT as eleições suplementares sendo apoiado pelo prefeito Arthur Virgílio. Venceu o segundo turno contra o ex-governador Eduardo Braga.
Eleiçoes 2022
Amazonino resistiu a todas as dificuldades impostas pela saúde fragilizada e enfrentou mais uma eleição, chegando a despontar como favorito a maior parte do tempo, mas os números foram caindo ao final da campanha e no primeiro debate, o desgaste ja era visível, mais ainda pela dificuldade que ele tinha até em respirar.

Armando Mendes, filho de Amazonino, esteve muito mais próximo ao pai nestes últimos anos. Armando foi cogitado a ser o vice de Amazonino nas últimas eleições, o que ele declinou. “Me sinto muito honrado com a lembrança do meu nome para um cargo tão importante, mas prefiro não me candidatar. Nunca pretendi assumir qualquer cargo público. Aprendi com minha mãe e com meu pai a sempre fazer o bem, a servir e não ser servido. Sempre vou estar ao lado do meu pai orientando, aconselhando, como sempre fiz. Ele pode contar comigo para que, se o povo o eleger, ajudá-lo da melhor forma possível a fazer o melhor governo de todos os tempos”, disse Armando Mendes.

Amazonino Mendes, após 39 anos de vida pública, deixa um legado incomensurável ao povo do Amazonas, em obras e projetos que abraçam firmemente a cultura, a saúde e a educação da nossa gente.
“O nome do politico funde-se com o nome do estado; agora, eterniza-se pela vasta memória, que marcará para sempre na nossa história.”
*Com pesar, de toda a equipe do Portal CINCO
