O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a recorrer ao velho roteiro de transferir responsabilidade. Durante participação no podcast do rapper Mano Brown, Lula comparou o Brasil pós-Bolsonaro à devastação na Faixa de Gaza — sim, ele realmente disse isso.
Segundo o presidente, que há mais de um ano ocupa o cargo pela terceira vez, o país estava “semidestruído” quando reassumiu o Planalto. Ele listou a ausência de ministérios como o do Trabalho, Igualdade Racial, Direitos Humanos e Cultura como evidências do tal “desmonte” deixado pelo governo anterior.
Continua depois da Publicidade

Lula voltou a pintar Bolsonaro como um vilão – Foto: Reprodução
Como de costume, Lula voltou a pintar Bolsonaro como um vilão quase cartunesco, acusando-o de promover uma “destruição proposital” de instituições e de boicotar qualquer iniciativa que fortalecesse a organização da sociedade. Para embasar a crítica, citou uma suposta frase do ex-presidente: “Para que cultura, se cultura politiza a sociedade?”.
A crítica viria com mais força se não soasse como mais um episódio da já conhecida ladainha presidencial: quando confrontado com os problemas da atual gestão — economia estagnada, inflação resistente, crescimento pífio e insegurança crescente —, Lula se refugia no passado. Com dificuldade em admitir erros, o mandatário tem demonstrado cada vez mais confusão entre presente, passado e utopia futura.
Entre críticas ao governo anterior e comparações inusitadas com zonas de guerra, Lula ainda aproveitou para defender a causa palestina. Chamou a situação em Gaza de genocídio, reforçou a proposta de um Estado palestino e, em mais um gesto performático, pediu mudanças no Conselho de Segurança da ONU durante conversa com o presidente francês Emmanuel Macron.
“Reconstrução democrática”, segundo Lula
O presidente afirma que continua sua missão de “reconstruir a democracia”, embora seu discurso soe cada vez mais repetitivo — como se estivesse preso a um looping de 2023. Ainda culpando o passado por tudo, Lula parece não perceber que já passou tempo suficiente para começar a mostrar resultados concretos.
Nas redes sociais, Lula também pediu que a ONU tome medidas mais firmes frente aos conflitos globais. “É o momento de devolver o protagonismo à ONU”, disse, enquanto internautas cobravam mais ação e menos discurso aqui dentro do Brasil.
Enquanto isso, a administração segue tropeçando, e o presidente — já demonstrando sinais de cansaço e desconexão com a realidade — continua com sua retórica senil e maniqueísta: de um lado, ele o salvador; do outro, Bolsonaro, o eterno culpado.
Palestina, ONU e cortina de fumaça
No embalo da retórica épica, Lula aproveitou para reforçar sua solidariedade à causa palestina. Chamou de genocídio a situação em Gaza, pediu um Estado palestino e fez um apelo para reformar o Conselho de Segurança da ONU — tudo isso enquanto o povo brasileiro continua tentando entender se o governo ainda está em modo “campanha” ou se algum dia vai mudar para “governar”.
Lula 3: A Missão do Espelho Retrovisor
A verdade é que Lula parece cada vez mais confinado no personagem do “reconstrutor”, ainda que o país continue tropeçando nos mesmos buracos. Com discurso repetitivo, tiques de nostalgia sindical e uma dificuldade crescente de distinguir passado de presente, o presidente parece mais confortável em lamentar do que em liderar.
Enquanto o tempo passa e os problemas se acumulam, o governo segue empacado — e o presidente continua apontando o dedo para trás, como quem dirige olhando exclusivamente pelo retrovisor… e depois se espanta quando bate.
