Política

Brasil

Lula prestigia neto de Fidel Castro em evento do PT e reforça laços com regimes autoritários

Encontro simbólico durante o 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores levanta críticas sobre afinidade ideológica do presidente com ditaduras latino-americanas


Em mais um gesto que levanta questionamentos sobre suas alianças ideológicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou neste domingo (3), em Brasília, com Fidel Antonio Castro Smirnov — conhecido como “Fidelito” — neto do ex-ditador cubano Fidel Castro. A reunião aconteceu durante o encerramento do 17º Encontro Nacional do PT e foi celebrada nas redes sociais por membros da cúpula petista.

Lula e Fidelito, se encontraram em Brasília – Foto: Reprodução

O prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá (PT), compartilhou o momento em que Lula e Fidelito se abraçam. “O Congresso também foi marcado por um encontro simbólico que ajudei a construir: o abraço entre Lula e Fidelito, neto de Fidel. Um gesto de afeto e história, que agora se transforma em futuro”, escreveu Quaquá, destacando que o jovem Castro atuará em projetos de medicina nuclear no município fluminense.

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A aproximação reforça o histórico do Partido dos Trabalhadores e de Lula com governos autoritários da América Latina, como Cuba, Nicarágua e Venezuela. Críticos afirmam que esse tipo de relação compromete o compromisso do Brasil com valores democráticos, especialmente num momento em que o país busca consolidar sua posição internacional como defensor dos direitos humanos e da liberdade.

O evento contou ainda com figuras centrais do partido, como a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o novo presidente do PT, Edinho Silva — todos presentes numa cerimônia marcada por elogios a regimes considerados repressivos por instituições internacionais.

Enquanto Lula reforça laços com descendentes de ditadores, analistas apontam para a contradição entre sua retórica democrática e a prática de estreitar relações com representantes de regimes que restringem liberdades civis e perseguem opositores.

Lula tem história com Ditadores ou Líderes Autoritários

2003

  • Fidel Castro (Cuba)
    Lula visita Cuba logo após assumir a presidência. Reforça laços históricos com o regime cubano, elogia Fidel como “líder revolucionário”.

Lula com o presidente de Cuba, Fidel Castro, ao ser recebido no Palácio da Revolução em Havana, em 2003 – Foto: Adalberto Roque/AFP

2005

  • Muammar Kadhafi (Líbia)
    Lula encontra Kadhafi em Trípoli. Discutem parcerias comerciais e a “solidariedade entre nações do Sul Global”. Kadhafi era acusado de repressão brutal e envolvimento com terrorismo.

Muammar Kaddafi e Lula – Foto: Reprodução

2007

  • Mahmoud Ahmadinejad (Irã)
    Lula defende aproximação com o Irã e se recusa a condenar violações de direitos humanos. Envia comitiva para reforçar laços comerciais e nucleares.

Lula e Mahmoud Ahmadinejad – Foto: Evaristo Sá/AFP

  • Bashar al-Assad (Síria)
    Após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria por vinte e nove anos. Seu regime foi marcado por constantes abusos de direitos humanos, com seu governo sendo caracterizado como uma ditadura personalista sob um estado policial totalitário. Lula recebeu Assad no Brasil e poucos anos depois, Assad seria acusado de crimes de guerra na guerra civil síria. 

Lula e Bashar al-Assad – Foto: Reprodução

2008

  • Robert Mugabe (Zimbábue)
    Lula se encontra com Mugabe durante evento da União Africana. Apesar das críticas internacionais ao regime repressivo de Mugabe, Lula mantém tom diplomático.

Robert Mugabe, líder da União Nacional Africana de Zimbábue (ZANU), chegou o poder como primeiro-ministro. Joshua Nkomo, presidente da União Nacional Popular Africana (ZAPU) e companheiro de Mugabe durante a luta armada, foi nomeado ministro de Interior.

Em 17 de fevereiro de 1982, Nkomo, acusado de planejar um golpe, é expulso do país. A resistência armada em sua região natal, Matabeleland, sofre uma sangrenta repressão por parte do governo, com saldo de ao menos 20 mil mortos.

Ditador Robert Mugabe e Lula – Foto: Reprodução 

2009

  • Hugo Chávez (Venezuela)
    Reuniões frequentes com o então presidente venezuelano, era chamado de “companheiro e amigo”. Lula evita críticas à concentração de poder e censura à imprensa.

Lula e Hugo Chávez – Foto: Reprodução

2010

  • Raúl Castro (Cuba)
    Lula retorna a Cuba e encontra Raúl, que substituíra Fidel. Continua exaltando a revolução cubana como “exemplo de resistência”.

2023 (terceiro mandato)

  • Nicolás Maduro (Venezuela)
    Em maio, Lula recebe Maduro em Brasília e diz que há uma “narrativa de antidemocracia na Venezuela que não se sustenta”, o que gera forte reação nacional e internacional.

Ditador Nicolas Maduro e Lula são amigos há mais de 20 anos – Foto: AFP

2024

  • Miguel Díaz-Canel (Cuba)
    Lula volta a se reunir com o atual presidente cubano, herdeiro político dos irmãos Castro, durante a cúpula do G77+China. Defende o fim do embargo dos EUA, sem mencionar repressão interna em Cuba.

Lula com o Presidente de Cuba, Miguel Díaz – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O flerte de Lula com ditaduras e suas implicações atuais

Ao longo de sua trajetória política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido relações próximas com regimes autoritários, o que frequentemente gera controvérsias no cenário internacional. Desde seus primeiros mandatos (2003–2010), Lula buscou uma política externa focada na multipolaridade, aproximando o Brasil de países como Cuba, Venezuela, Irã, Rússia e China — na maioria dos casos, liderados por governos com histórico de autoritarismo, censura ou repressão a opositores.

Putin e Lula – Foto: Reprodução/Ag. Gov

Lula visitou e prestou homenagens a líderes como Fidel Castro (Cuba), Hugo Chávez (Venezuela) e Mahmoud Ahmadinejad (Irã). Em seu terceiro mandato, o petista continuou essa linha, evitando críticas a ditaduras em fóruns internacionais e adotando uma retórica de “respeito à soberania”, mesmo diante de denúncias graves de violações de direitos humanos, como no caso da Nicarágua e da Venezuela.

Implicações atuais:

  1. Imagem internacional do Brasil – A neutralidade diante de violações de direitos humanos e a proximidade com ditaduras enfraquecem o discurso do Brasil como defensor da democracia e dos direitos humanos, o que pode afetar sua influência em organismos multilaterais.

  2. Relações com democracias ocidentais – Países como Estados Unidos e membros da União Europeia têm demonstrado preocupação com a postura brasileira, o que pode impactar acordos comerciais e cooperação diplomática.

  3. Desalinhamento com expectativas democráticas internas – Ao demonstrar tolerância com regimes autoritários, Lula é criticado por setores da sociedade civil, imprensa e oposição, que apontam incoerência com os princípios democráticos defendidos no discurso doméstico.

  4. Fortalecimento do discurso bolsonarista – A aproximação de Lula com ditadores é usada como munição por opositores para questionar seu compromisso com a democracia e alimentar a polarização política no Brasil.

Em suma, o flerte de Lula com ditaduras gera um paradoxo em sua política externa: busca projeção internacional e autonomia diplomática, mas arrisca a credibilidade do país como defensor da democracia global.