Política

Amazônia

Iate de luxo alugado para Lula na COP30 pertence a empresário com histórico de contratos públicos no Amazonas

A embarcação Iana III, utilizada pela comitiva presidencial em Belém – PA, pertence ao empresário Iomar Cavalcante de Oliveira e já esteve envolvida em denúncias de uso eleitoral e contratos milionários com o governo do Amazonas.


O iate Iana tem um histórico de serviços prestados a políticos amazonenses, sendo citado em diferentes episódios – Foto: Reprodução

Em Belém do Pará, durante a realização da COP30, a comitiva presidencial optou por se hospedar no iate Iana III, de propriedade de Iomar Cavalcante de Oliveira, empresário com ampla atuação em locação de embarcações para o setor público no Amazonas.

Inicialmente, havia sido considerada a utilização de um navio da Marinha para acomodar o presidente Lula, contudo tal opção foi descartada por “não atender às especificidades exigidas para hospedagem da comitiva”.

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O iate em questão já esteve no centro de polêmicas: em 2021 foi alvo de inspeção da Justiça Eleitoral no município de Coari (AM) após vídeos mostrarem o descarregamento de cestas básicas a bordo da embarcação, suspeitas que apontavam para uso eleitoral.

Além disso, o empresário dono da embarcação recebeu contratos milionários com o governo do Amazonas (por exemplo, aprox. R$ 2,3 milhões em 2018) e mantém vínculos familiares com cargos na administração estadual, levantando questionamentos sobre favorecimento.

A Presidência da República, por sua vez, em nota, afirmou que “buscou soluções que fossem adequadas para receber o presidente, cumprindo a legislação vigente, o que inclui segurança, preço e conforto” e negou que o empresário ou suas empresas tenham sido cogitados diretamente.

O empresário proprietário do iate mantém negócios com o poder público e parentes empregados em órgãos estaduais, o que reacendeu debates sobre a transparência e os critérios adotados pelo governo federal na escolha do local de hospedagem.

Sobre a legalidade do ato:

A decisão de recorrer a uma embarcação privada para hospedar o presidente e sua comitiva expõe um planejamento precário do governo federal diante de um evento internacional da relevância da COP30.

A conferência climática, que coloca o Brasil sob os holofotes do mundo, exigia uma organização logística robusta e antecipada, incluindo acomodações oficiais e infraestrutura adequada.

Ao depender de soluções improvisadas e potencialmente controversas, o governo demonstra falta de preparo e gestão estratégica, comprometendo a imagem do país e abrindo espaço para críticas quanto à transparência e à seriedade na condução de um evento que deveria refletir a capacidade do Brasil em liderar o debate ambiental global.