Política

Amazônia

“Do Inferno ao Verde: Quando explorar petróleo na Amazônia deixa de ser crime e vira estratégia”

Lula defende megaprojeto de exploração perto da floresta meses antes da COP30 — o mesmo tipo de iniciativa que rendeu a Bolsonaro duras críticas internacionais e acusações de devastação ambiental.


Hipocrisia Verde: Lula defende exploração de petróleo perto da Amazônia meses antes da COP30 — e é tratado com condescendência onde Bolsonaro foi massacrado

Meses antes do Brasil sediar a conferência climática da ONU (COP30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente a exploração de petróleo perto da Amazônia — uma posição que, se vinda de Jair Bolsonaro, certamente teria provocado escândalo global e condenações em massa.

Continua depois da Publicidade

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante gravação para o podcast “Mano a mano”, com Mano Brown Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante entrevista ao podcast de Mano Brown, Lula afirmou que é preciso “realismo” sobre a dependência mundial de combustíveis fósseis. “O mundo não está preparado para viver sem o petróleo”, declarou, ao defender a abertura de uma nova frente de exploração na chamada Margem Equatorial, região com reservas estimadas em 10 bilhões de barris, localizada a 545 km da costa e próxima à maior floresta tropical do planeta.

A estatal Petrobras aguarda licença ambiental do Ibama para dar início ao megaprojeto, que enfrenta resistência de ambientalistas e até do Ministério Público. Ainda assim, a retórica de Lula tenta conciliar o discurso ambiental com os interesses econômicos: “Por que a gente não pode explorar essa riqueza nossa para que a gente possa fazer outra riqueza acontecer, que é a transição energética?”, questionou, enquanto exaltava a mistura de etanol e biodiesel nos combustíveis brasileiros.

O curioso é que quando Bolsonaro sugeriu medidas parecidas — ainda que com menos verniz ambiental e diplomático — foi acusado de promover um retrocesso climático, de atentar contra a floresta, e de transformar o Brasil em pária internacional. Com Lula, o debate se suaviza. Muitos analistas, imprensa internacional e até ambientalistas parecem menos indignados, mais “compreensivos”.

A mesma exploração petrolífera, agora apoiada pelo governo de esquerda, vem sendo tratada com discursos moderados e justificativas de “transição”. Enquanto isso, consórcios liderados pela Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC arrematam blocos de exploração na Margem Equatorial por mais de R$ 844 milhões — sem que isso manche o discurso do Brasil como futuro líder climático global.

A pergunta que fica: quando é Lula que quer perfurar perto da Amazônia, isso é “pragmatismo”. Quando era Bolsonaro, era “crime ambiental”. Mudou a política ambiental do Brasil ou só mudou quem está no poder?