A criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, que visa investigar o avanço das facções criminosas no Brasil, promete ser um novo campo de batalha político e um desafio significativo para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A segurança pública, uma das principais preocupações da população brasileira, coloca o governo em uma posição vulnerável, já que a oposição articula estratégias para usar a comissão como uma ferramenta de desgaste político.
Pesquisas de opinião, como a divulgada pela Quaest em junho, apontam a violência como a principal preocupação dos brasileiros, com 30% dos entrevistados mencionando a questão. Com dados como esse, a CPI encontra um terreno fértil para pressionar o governo, especialmente em um momento em que o presidente Lula busca ampliar a influência federal nas políticas de segurança pública dos estados, o que tem gerado resistência e críticas.
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Foto: Reprodução
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor da proposta de criação da CPI, afirmou que o crime organizado está profundamente infiltrado nos órgãos públicos, e que a comissão tem o objetivo de dar voz aos profissionais de segurança que enfrentam o crime. Ele acredita que uma investigação abrangente poderá oferecer soluções eficazes para combater a violência de forma democrática e eficiente.
Por outro lado, o senador Magno Malta (PL-ES), indicado para ser o relator da CPI, ressaltou que as investigações podem ter um grande impacto, uma vez que, em sua visão, o crime organizado estaria infiltrado em áreas próximas ao poder. A oposição, portanto, espera que a comissão se transforme em um ponto de pressão política, com destaque para o desejo de Lula de transferir mais poder para o governo federal sobre a segurança pública, algo que deve ser fortemente questionado.
Embora as pesquisas mostrem uma alta percepção de violência, as estatísticas criminais indicam uma redução no número de homicídios no país, com uma queda de 6,33% em 2024, segundo o Mapa da Segurança Pública. No entanto, essa queda se concentra em estados cujos governos não são alinhados com Lula, o que torna ainda mais evidente a disputa política sobre a gestão da segurança.

Lula durante visita a Interpol – Foto: Presidência da República
Com a instalação da CPI prevista para agosto, após o recesso parlamentar, a oposição está pronta para usar a comissão como um espaço para questionar a gestão de segurança do governo e, possivelmente, desgastar a imagem de Lula, colocando a violência como um tema central nas eleições e nos debates políticos que virão.
