O Banco Master manteve um contrato de consultoria jurídica de R$ 250 mil mensais com o escritório de advocacia da família do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski por quase dois anos após ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024. O acordo, firmado em agosto de 2023, resultou em pagamentos que somam cerca de R$ 6,5 milhões, dos quais R$ 5,25 milhões foram feitos durante sua passagem pelo governo federal.

Montagem: Reprodução/Times Brasil
Segundo apurações divulgadas pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC no país e pela colunista Andreza Matais, do site Metrópoles, o contrato permaneceu ativo até setembro de 2025, mesmo com Lewandowski ocupando uma das principais pastas do governo Lula por 21 meses.
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Atuação limitada e repasses mantidos
O objeto do contrato era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”, incluindo a participação no Comitê Estratégico do banco. Apesar disso, Lewandowski compareceu a apenas duas reuniões ao longo de toda a vigência do acordo.
Ao assumir o ministério, em 17 de janeiro de 2024, Lewandowski deixou formalmente a sociedade de advogados e suspendeu seu registro na OAB, segundo sua assessoria. A condução do escritório passou então aos filhos Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, com Enrique assumindo a representação junto ao banco. Mesmo assim, conforme a apuração, não houve entregas relevantes, embora os pagamentos tenham continuado regularmente.
Reunião fora da agenda com Lula
O caso ganhou novos contornos após a revelação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma reunião fora da agenda oficial no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro, que teria durado cerca de uma hora e meia, foi articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Participaram da reunião, além de Lula e Vorcaro, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central. Também esteve presente Augusto Lima, ex-CEO do Master e apontado como elo entre o banco e lideranças do PT.
Na ocasião, Vorcaro e seus representantes teriam alegado que grandes bancos estariam atuando para impedir a sobrevivência do Master e preservar a concentração do mercado financeiro. Lula, segundo relatos, pediu a Galípolo que tratasse o caso com isenção quando assumisse o comando do BC.
Liquidação do banco e suspeita de fraude bilionária
Apesar da interlocução política, o Banco Central se posicionou contra a venda do Master ao BRB e decretou a liquidação da instituição, citando fraude estimada em R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro. Após a decisão, Guido Mantega deixou a consultoria do banco.
As investigações sobre o Master avançam no Supremo Tribunal Federal e já citam, pela primeira vez, o governador do Distrito Federal, ampliando o alcance institucional do caso.
Jaques Wagner, Mantega e pagamentos paralelos
Outro ponto sensível envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo as apurações, Wagner teria solicitado diretamente a contratação do escritório de Lewandowski e também indicado Guido Mantega para atuar como consultor do banco.
Mantega teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês, com pagamentos que podem ter alcançado ao menos R$ 11 milhões, enquanto articulava a tentativa de venda do Master ao BRB. Durante esse período, ele esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto em 2024, sempre com registros genéricos de agenda e sem menção ao vínculo com o banco.
Discurso duro de Lula
As revelações surgem em meio ao endurecimento do discurso público de Lula contra o Banco Master. Em evento recente em Maceió (AL), o presidente afirmou que “falta vergonha na cara” para quem defende Daniel Vorcaro e acusou o banco de ter provocado um rombo superior a R$ 40 bilhões no sistema financeiro nacional.
O conjunto de fatos intensifica o debate sobre conflitos de interesse, transparência nas relações entre o setor financeiro e o poder público e o papel de autoridades políticas em meio à maior crise enfrentada pelo Banco Master.
