
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Foto: REUTERS
O ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou aos aliados, pela primeira vez, que deseja ver o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do seu grupo político à Presidência da República em 2026. A informação foi consolidada após uma conversa de cerca de 30 minutos entre pai e filho na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde Bolsonaro cumpre pena em regime fechado por tentativa de golpe de Estado.
Segundo interlocutores, Flávio comunicou a decisão de Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a outros aliados antes do anúncio público. A escolha foi revelada inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmada horas depois tanto por Flávio quanto pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
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“É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, escreveu o senador nas redes sociais. Valdemar reforçou: “Se Bolsonaro falou, está falado.”
Centrão e aliados preferiam Tarcísio
A definição frustrou parte expressiva do centrão, que via Tarcísio como o nome mais competitivo para enfrentar o presidente Lula (PT) em 2026. Líderes desses partidos avaliam que:
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Tarcísio teria maior capacidade de unificar direita e extrema direita;
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possui menor rejeição nacional;
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dialoga melhor com setores econômicos e com a classe política moderada.
Tarcísio, porém, reiterou publicamente que pretende buscar a reeleição, não o Planalto.
Na avaliação de dirigentes ouvidos sob reserva, a candidatura de Flávio não tem o mesmo poder aglutinador — e pode fragmentar a oposição entre governadores e outras lideranças conservadoras.
Há também quem veja a decisão como uma “cartada” da família Bolsonaro para tentar recuperar controle sobre a sucessão dentro da direita e pressionar o centrão nas negociações do próximo ano.
Família Bolsonaro reage e tenta consolidar liderança da direita
Eduardo Bolsonaro, rival interno do irmão na disputa pelo espólio político, celebrou a escolha. Nas redes sociais, declarou:
“Meu irmão erguerá a bandeira dos ideais do nosso pai. O momento exige união.”
Flávio tem assumido papel de destaque na defesa pública do ex-presidente, adotando discurso mais duro contra o STF e defendendo abertamente anistia ou indulto a Jair Bolsonaro — inclusive confrontando o Supremo, se necessário, para garantir a medida.
Para seus aliados, a escolha mantém o nome Bolsonaro no centro da política nacional e reduz o risco de o ex-presidente perder protagonismo enquanto segue preso.
Mercado reage e dólar sobe

Bolsa de Valores cai com Flávio Bolsonaro indicado à presidência em 2026 – Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
A confirmação da escolha de Flávio teve impacto rápido no mercado financeiro. Logo após a divulgação da notícia:
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O dólar passou a subir;
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A bolsa inverteu o movimento e recuou;
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A volatilidade aumentou nos juros futuros.
Segundo analistas do mercado, a reação refletiu a percepção de que Flávio Bolsonaro teria menor competitividade eleitoral do que Tarcísio contra Lula — o que elevaria o chamado risco político a médio prazo. Antes da reviravolta, os indicadores estavam em tendência positiva devido a dados de inflação nos Estados Unidos alinhados às expectativas.
A leitura predominante entre investidores é que Tarcísio seria um candidato mais aceito pela Faria Lima, por transmitir imagem de maior previsibilidade e menor propensão a conflitos institucionais.
Por que a notícia mexeu com a economia
A reação do mercado não tem relação direta com Flávio individualmente, mas com três fatores:
1. Percepção de menor competitividade
Para investidores, Tarcísio tem maior potencial de crescer no centro e captar votos moderados.
Flávio, mais associado ao núcleo duro do bolsonarismo, teria caminho mais estreito.
2. Risco institucional
Flávio tem defendido confrontar o STF para garantir anistia ao pai — algo que aumenta a sensação de instabilidade para agentes econômicos.
3. Incerteza sobre alianças
O centrão, que é chave em qualquer governabilidade, recebeu a decisão com reservas.
Isso gera dúvida sobre quem estará com quem em 2026 e qual projeto econômico poderia prevalecer.
A soma desses fatores elevou o sentimento de cautela e fez o dólar subir.
Flávio Bolsonaro, 44, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com Rogéria Nantes Nunes Braga. Nascido em Resende, no interior do estado do Rio de Janeiro, formou-se em direito na Universidade Cândido Mendes e tem especialização em políticas públicas pelo Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e em empreendedorismo pela FGV.
Sua carreira na vida pública começou em 2003, quando se elegeu, no Rio de Janeiro, ao cargo de deputado estadual pela primeira vez. Foi reeleito em 2006, 2010 e 2014. Disputou as eleições para a prefeitura da capital fluminense, em 2016, mas acabou em quarto lugar –Marcelo Crivella sagrou-se vitorioso, na ocasião. Dois anos depois, conseguiu se eleger ao cargo de senador.
SOBRE A ESCOLHA: Um erro de estratégia?
A definição de Flávio Bolsonaro como candidato em 2026 reforça a estratégia de preservar o capital eleitoral da família e evitar que o bolsonarismo se dilua entre líderes emergentes da direita. A movimentação, porém, pode acentuar divisões internas no campo conservador, especialmente entre governadores e partidos que viam em Tarcísio um nome mais competitivo. É um lance político que mantém o sobrenome Bolsonaro no centro do debate, mas também abre espaço para tensões e para uma disputa intensa por protagonismo dentro da própria direita.
Por que Tarcísio de Freitas seria um nome melhor?
Tarcísio seria considerado um nome melhor porque amplia o eleitorado, gera menos rejeição, tem maior potencial de unir a direita e carrega menos riscos políticos e jurídicos do que Flávio Bolsonaro.

Foto: Amanda Perobelli/REUTERS
Ainda assim, a ideia de que Tarcísio de Freitas seria um nome melhor para disputar a Presidência em 2026 não é unânime, mas aparece com força em setores do centrão e até entre parte da direita. Isso ocorre por alguns fatores estratégicos:
1. Menor rejeição e maior apelo ao centro
Tarcísio tem rejeição mais baixa do que qualquer membro direto da família Bolsonaro.
Ele dialoga melhor com eleitores moderados, empresariado e parte da classe política que rejeita o radicalismo.
Isso ampliaria seu potencial de votos além da bolha da extrema direita.
2. Experiência administrativa reconhecida
Sua gestão como ministro da Infraestrutura e como governador de São Paulo é vista como eficiente e técnica.
Para muitos, isso passa a imagem de competência e pragmatismo, atributos valorizados no eleitor médio.
3. Capacidade de unificar a direita
Tarcísio é considerado uma figura com maior poder aglutinador:
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aceita por conservadores moderados
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aceita por liberais
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menos polarizador para a direita tradicional
Flávio, por outro lado, carrega a marca do “bolsonarismo raiz”, o que tende a segmentar mais do que unir.
4. Distância de polêmicas jurídicas
Ao contrário de membros da família Bolsonaro, Tarcísio não está envolvido em investigações de grande desgaste político.
Isso reduz o risco de campanha ser pautada por escândalos ou judicialização.
5. É visto como “herdeiro” natural, mas sem o peso do sobrenome
Tarcísio tem a vantagem de:
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herdar parte do eleitorado bolsonarista
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sem carregar totalmente o ônus político do bolsonarismo
Assim, teria mais facilidade para ampliar, não apenas manter o eleitorado.
6. A elite política confia mais nele
Partidos como União Brasil, PP e Republicanos enxergam Tarcísio como:
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mais viável
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mais estável
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mais previsível nas negociações
Isso facilita alianças mais amplas e robustas.
7. Competitividade comprovada em 2022 e 2024
A vitória de Tarcísio em SP — o maior colégio eleitoral do país — foi vista como uma demonstração de:
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força eleitoral
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capacidade de articulação
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conquistas além do voto ideológico
