Política

São Paulo

Bolsonaro adapta slogan de Trump e diz “Make Brasil Great Again” em Manifestação na Paulista

Ex-presidente parafraseia o famoso lema do ex-presidente dos EUA durante ato em São Paulo e se aproxima de aliados internacionais.


Neste domingo (29), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comandou mais um ato político — o 7º desde que deixou o Palácio do Planalto. Em cima de um trio elétrico na Avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro disse que “nem precisa ser presidente”, mas convocou seus apoiadores a buscar maioria no Congresso: “Com 50% da Câmara e do Senado, a gente muda o Brasil”.

Fotos: Carlos Augusto de Melo Filho

A manifestação reuniu mais de 12 mil apoiadores vestindo verde e amarelo, com faixas pedindo anistia aos presos do 8 de Janeiro, críticas ao governo Lula (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Além das tradicionais bandeiras do Brasil, também foram vistas bandeiras dos Estados Unidos e cartazes com mensagens de apoio a Donald Trump.

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Em meio à manifestação, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) causou repercussão ao adaptar o famoso slogan de Donald Trump, “Make America Great Again”. Bolsonaro bradou “Make Brasil great again”, fazendo uma alusão direta ao movimento que impulsionou Trump ao segundo mandato nos Estados Unidos.

O momento ocorreu durante o discurso do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que, ao se referir à presença de “olhos atentos” de fora do Brasil, lançou um comentário em inglês, o que levou Bolsonaro a brincar: “I don’t speak English”. Após a piada, o deputado prosseguiu sua fala em inglês, alegando que o Brasil vivia sob uma “ditadura do judiciário”.

No final de seu pronunciamento, Bolsonaro reforçou sua mensagem ao gritar “Make Brasil great again”, enquanto bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel eram agitadas ao redor do carro de som. Faixas com os dizeres “Bolsotrump” e “Trumponaro” e uma caricatura de Eduardo Bolsonaro com a frase “Donald Trump, thank you very much” também estavam presentes no evento, demonstrando o apoio ao ex-presidente americano.

A manifestação reflete ainda as intenções do deputado Gayer de buscar sanções internacionais contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O ato realizado na Avenida Paulista em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro reflete uma série de dinâmicas que, ao longo dos anos, marcaram a relação entre política, mobilização popular e representação pública no Brasil. A manifestação atraiu um público com características distintas, mas que compartilhavam a adesão à figura de Bolsonaro, seja por questões ideológicas, políticas ou pessoais.

Público presente

O perfil dos participantes desse tipo de ato é multifacetado, mas alguns elementos se destacam quando se observa o público presente. Um ponto importante é a diversidade de faixas etárias, com uma predominância de adultos mais velhos, com forte vínculo ao conservadorismo e aos valores de ordem e família. No entanto, havia também uma expressiva presença de jovens, que podem ser atraídos pela ideia de “antissistema” ou pela defesa de um ideário nacionalista e conservador, que Bolsonaro soube articular muito bem durante sua trajetória política.

Fotos: Carlos Augusto de Melo Filho

Além disso, a participação de grupos religiosos também foi notória, com igrejas evangélicas desempenhando um papel importante na mobilização. O bolsonarismo tem uma base fiel nesse segmento, que se sente representado pela postura conservadora em relação a temas como moralidade, família e religião. Também estavam presentes representantes de movimentos como o “Vem Pra Rua” e o “Movimento Brasil Livre”, que, em outros momentos, desempenharam papéis ativos nas ruas durante a ascensão do ex-presidente.

Em relação à qualificação política do público, é importante destacar que muitos participantes estavam no evento em busca de reafirmar seus posicionamentos políticos e ideológicos, em uma demonstração de força em um momento de polarização extrema no Brasil. No entanto, a percepção de que muitos se baseiam em um discurso simplificado, sem uma análise crítica mais profunda dos fatos, é um fator que mereceria reflexão. O culto à figura do líder, sem questionamentos sobre seus feitos ou posicionamentos, foi uma característica marcante de muitos dos participantes.

Políticos Presentes

O evento também contou com a presença de políticos de diversas vertentes, muitos dos quais aproveitaram a oportunidade para se alinhar à figura de Bolsonaro e, assim, consolidar seu apoio à base bolsonarista. Políticos de direita, como os representantes do PL (Partido Liberal) e outros aliados históricos do ex-presidente, compareceram ao ato como uma forma de reforçar seu vínculo com os eleitores mais fieis ao bolsonarismo. Para esses políticos, o evento se tornou uma forma de capitalizar politicamente em um momento de alta polarização.

No entanto, muitos desses políticos estavam lá não apenas para expressar solidariedade a Bolsonaro, mas para projetar uma imagem de força política dentro do contexto de disputa pela presidência e por posições no Congresso. A presença de figuras do centrão, por exemplo, deixou claro que os interesses não estavam apenas ligados à defesa de um ideário conservador, mas também à busca de apoio para futuros projetos eleitorais.

Esse movimento de “aproximação” de políticos com a figura de Bolsonaro é simbólico de um Brasil marcado pela fragmentação política e pelo clientelismo. Em vez de um debate construtivo, a polarização se traduz em manifestações de lealdade a um líder político, que muitas vezes usa a figura pública para reforçar sua posição de poder. A presença de políticos em atos desse tipo também pode ser interpretada como uma estratégia de comunicação, com vistas a manter a base de apoio que permanece fiel a Bolsonaro, seja por convicção ideológica ou por uma defesa intransigente da sua figura.

Alinhamento político

O ato na Avenida Paulista reuniu um público e uma classe política que, em boa parte, se alinham ao legado e à imagem construída por Bolsonaro. A qualidade desse público, por um lado, refletiu um forte apego à ideia de um Brasil conservador e tradicionalista, que enxerga em Bolsonaro uma forma de resistência à esquerda e às ideias progressistas. Por outro lado, a presença de políticos no evento evidenciou o pragmatismo político de figuras que buscam se aproximar de uma base eleitoral ainda influente no país, reforçando a polarização que caracteriza o cenário político brasileiro pós-impeachment de Dilma Rousseff.

O ato foi mais do que uma simples manifestação de apoio ao ex-presidente. Ele foi um reflexo de um momento de crise política e social no Brasil, onde o debate público se tornou cada vez mais polarizado e, muitas vezes, destituído de um diálogo mais construtivo. A qualidade de ambos, público e políticos, não apenas refletiu uma ideologia dominante, mas também as estratégias eleitorais em um país em constante movimento.